Audiência na Câmara discutirá prejuízos bilionários do Postalis causados por BNY Mellon, 16 anos depois do caso

Postalis teve prejuízo de R$ 8 bilhões, na avaliação da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP) 

 

O Globo
15/06/2026

Em meio às investigações envolvendo o Banco Master, que vêm desvendando prejuízos a diversos fundos de pensão Brasil afora, pode ser pouco auspicioso constatar que, passados 16 anos do caso envolvendo os prejuízos causados ao Postalis (fundo de pensão dos empregados dos Correios) pelo BNY Mellon nem um tostão foi recuperado. Os desdobramentos do caso serão discutidos em uma audiência pública marcada para esta quarta-feira, às 16h30m, na Câmara dos Deputados. A estimativa da Associação dos Profissionais dos Correios ( ADCAP ) é de um rombo de R$ 8 bilhões no fundo de pensão dos servidores devido a gestão feita pelo banco americano do dinheiro dos aposentados da estatal.

Para Roberval Borges Corrêa , presidente da ADCAP, a audiência – convocada pelo presidente da Comissão de Trabalho da Câmara, o deputado federal Marcos Tavares – pode ser uma importante oportunidade para buscar esclarecimentos, acompanhar o andamento das investigações e defender os interesses dos empregados, aposentados e pensionistas afetados. O debate público, diz Corrêa, é um passo na busca por transparência, responsabilização e soluções que contribuam para a proteção do patrimônio previdenciário dos participantes do Postalis. Ele lembra que o banco já foi condenado pelo TCU e que há diversas ações em tramitação na Justiça. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também aplicou multas milionárias relacionados ao caso. Tudo até agora sem um retorno efetivo para o patrimônio do fundo dos servidores.

— O banco BNY já foi condenado no Brasil pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em mais de R$ 1 bilhão e possui diversas ações na Justiça por parte do Postalis, do Ministério Público Federal (MPF) e da ADCAP. O montante estimado da dívida supera R$ 8 bilhões, mas, até agora, nada foi recuperado — diz o presidente da ADCAP.

Corrêa destaca que os métodos que levaram a prejuízos em vários fundos de pensão no caso Master são distintos dos utilizados pelo BNY Mellon, mas que o resultado final é o mesmo: prejuízo.

— No Master, a arquitetura dos investimentos utilizou as garantias do Fundo Garantidor como alavancagem, um golpe contra o sistema. No BNY, a arquitetura foi criar fundos de fundos em uma teia difícil de identificar onde começa e onde termina. Neste último caso, tratava-se de investimentos sem garantias.

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