ADCAP Net 19/06/2026 – Saiu na mídia: Servidores dos Correios pagam 24% do salário por prejuízo bilionário do Postalis, apontam debatedores

Os servidores dos correios pagam 24% do salário por prejuízo bilionário do postalis. o mau uso dos recursos do fundo foi descoberto há 16 anos, mas até hoje não houve punição aos gestores responsáveis pelas perdas financeiras. o tema foi debatido em audiência pública na câmara e a repórter emanuelle brasil acompanhou

 

Participantes de debate na Câmara dos Deputados alertaram (17/6) que servidores dos Correios sofrem retenção de 24% do salário mensal para cobrir o déficit do Postalis. A cobrança ocorre 16 anos após o caso envolvendo os prejuízos causados ao fundo de pensão pelo BNY Mellon, período no qual os gestores responsáveis pelas perdas financeiras permanecem sem punição.

A audiência pública foi realizada pela Comissão de Trabalho, a pedido do deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP).

O presidente da Associação dos Profissionais dos Correios ( ADCAP ), Roberval Borges Correia , destacou que mais de 10 mil pessoas deixaram o plano de previdência devido ao peso da cobrança extra sobre aposentadorias, cujos valores variam entre R$ 1.200 e R$ 2.000.

“Os trabalhadores e aposentados dos Correios contribuíram a vida inteira para formar sua poupança de complementação para sua aposentadoria e hoje um quarto praticamente do valor é descontado no seu contracheque.”

O diretor de Gestão Previdencial do Postalis, Leandro Augusto Ferreira Medeiros, estima o tamanho do prejuízo na ordem de R$ 15 bilhões. Para equacionar a dívida e evitar a liquidação do plano, o valor foi dividido entre os Correios, que assumiram R$ 7,6 bilhões, e os trabalhadores, que arcam com a outra metade.

“Do patrocinador, nós temos R$ 7,6 bilhões, que é um contrato de dívida assinado e reconhecido para poder fazer frente a esse equacionamento dos R$ 15 bilhões. Então, somando as duas partes, R$ 7,6 bilhões para cada uma delas, participantes e patrocinadora.”

Nesse ponto, o deputado Luiz Carlos Motta criticou a ausência de punição aos envolvidos.

“O que a gente percebe é que não acontece nada com essas pessoas. Quem acaba pagando são os atuais funcionários, os aposentados e veem descontado nos seus holerites algumas aberrações de coisas que foram mal administradas por pessoas que foram confiadas para administrar os fundos de pensões”.

Durante o debate, o auditor-chefe do Tribunal de Contas da União (TCU), Agostinho Garrido de Carvalho, informou que as condenações contra o banco ajuizadas pelo Tribunal de Contas somam R$ 833 milhões, mas o dinheiro ainda não foi pago em razão de impasses na Justiça. Uma das ações de cobrança, da ordem de R$ 94 milhões, por exemplo, está suspensa por decisão judicial.

Ainda sobre a punição aos responsáveis, o presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, Roberval Borges Correia, observou que o banco BNY já foi condenado pelo TCU e responde a ações na justiça por parte do Postalis, do Ministério Público Federal e da própria associação. No entanto, segundo Correia, não houve retorno efetivo de recursos ao patrimônio do fundo.

Fonte: Da Rádio Câmara de Brasília, Emanuelle Brasil.

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