{"id":9368,"date":"2018-01-23T14:05:30","date_gmt":"2018-01-23T14:05:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/?p=9368"},"modified":"2018-01-23T14:06:14","modified_gmt":"2018-01-23T14:06:14","slug":"as-verdadeiras-causas-do-prejuizo-dos-correios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/as-verdadeiras-causas-do-prejuizo-dos-correios\/","title":{"rendered":"\u201cAs verdadeiras causas do preju\u00edzo dos Correios.\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Empresa tem preocupado os associados que n\u00e3o compreendem como uma organiza\u00e7\u00e3o lucrativa e independente passou de repente a ostentar preju\u00edzos bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista exclusiva com o conselheiro eleito pelos trabalhadores para o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o dos Correios,\u00a0<strong>Marcos C\u00e9sar Alves\u00a0Silva<\/strong>, a ADCAP buscou a resposta, que \u00e9 trazida na mat\u00e9ria a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dire\u00e7\u00e3o Nacional da ADCAP.<\/strong><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cAs verdadeiras causas do preju\u00edzo<br \/>\ndos Correios.\u201d<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Rosiane Amaral, para a ADCAP<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 m\u00e1 gest\u00e3o, decl\u00ednio na quantidade de cartas, redu\u00e7\u00e3o da rentabilidade e nem os custos com o plano de sa\u00fade dos empregados a real causa do preju\u00edzo que, desde 2013, os Correios v\u00eam registrando.\u201d A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do representante dos empregados no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o dos Correios, Marcos C\u00e9sar Alves Silva. Para ele o que, de fato, abalou a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira da empresa foi a mudan\u00e7a nos crit\u00e9rios cont\u00e1beis, que determinaram o provisionamento para a cobertura das despesas com o p\u00f3s-emprego dos trabalhadores. Os novos crit\u00e9rios, que seguem par\u00e2metros internacionais e foram introduzidos no pa\u00eds pela norma CPC 33, passaram a ser praticados nos Correios tamb\u00e9m em 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o conselheiro, a implanta\u00e7\u00e3o dessas mudan\u00e7as cont\u00e1beis em estatais, que s\u00e3o grandes empregadoras, n\u00e3o recebeu a aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria por parte do Governo Federal. Argumenta que, no m\u00ednimo, essas organiza\u00e7\u00f5es deveriam ter sido preparadas de alguma forma para o impacto econ\u00f4mico-financeiro que sofreriam em decorr\u00eancia da modifica\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil. \u201cNo caso dos Correios, a situa\u00e7\u00e3o foi ainda mais grave, em fun\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio encontrado. A empresa j\u00e1 vinha descapitalizada pelo congelamento de tarifas, ocorrido entre 2012 e 2014, e tamb\u00e9m pelo recolhimento excessivo de dividendos, muito al\u00e9m do limite m\u00ednimo de 25% estabelecido em lei. Entre 2007 e 2013, foram recolhidos como dividendos, al\u00e9m do m\u00ednimo, cerca de R$ 6 bilh\u00f5es em valores corrigidos\u201d, justifica Marcos C\u00e9sar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relat\u00f3rio\u00a0<\/strong>\u2013 O detalhamento dos preju\u00edzos est\u00e1 no relat\u00f3rio 201700921, no qual a Controladoria Geral da Uni\u00e3o (CGU) avalia a situa\u00e7\u00e3o dos Correios de 2011 a 2016 e aponta a gravidade da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira da empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vis\u00e3o aprofundada<\/strong>\u00a0\u2013 A partir da divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, a situa\u00e7\u00e3o dos Correios passou a pautar entrevistas e notici\u00e1rios, gerando uma s\u00e9rie de d\u00favidas e questionamentos. Embora o preju\u00edzo seja real, as justificativas apresentadas, at\u00e9 agora, n\u00e3o contemplaram uma an\u00e1lise mais aprofundada, sendo muitas vezes baseadas em informa\u00e7\u00f5es equivocadas e sem o devido conhecimento dos fatos geradores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preocupada em mostrar contrapontos \u00e0 vers\u00e3o que vem sendo colocada para a popula\u00e7\u00e3o e para o mercado, a Associa\u00e7\u00e3o dos Empregados dos Correios (ADCAP) foi ouvir o representante dos empregados no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o. Pela complexidade da situa\u00e7\u00e3o e por considerar as novas regras cont\u00e1beis \u201cuma caixa preta\u201d, Marcos C\u00e9sar tem se dedicado a estud\u00e1-las com profundidade. Constantemente tem levado o assunto para debate nas reuni\u00f5es do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m mantido contatos com autoridades. O objetivo \u00e9 buscar apoio e assim tentar encontrar formas para amenizar os impactos que a empresa vem sofrendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As respostas, a seguir, constituem importantes subs\u00eddios para que se compreenda as reais causas da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira dos Correios, que s\u00e3o, na vis\u00e3o do conselheiro, bem distintas das que v\u00eam sendo apregoadas por autoridades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1) Os Correios realmente est\u00e3o apresentando preju\u00edzo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, mas este resultado se deve, em grande parte, \u00e0 mudan\u00e7a cont\u00e1bil introduzida a partir da norma CPC 33, que trata do pr\u00e9-pagamento dos benef\u00edcios do p\u00f3s-emprego. N\u00e3o fosse a contabiliza\u00e7\u00e3o que decorre exclusivamente dessa norma, a empresa seria lucrativa. Isso pode ser comprovado com a leitura atenta do relat\u00f3rio n\u00ba 201700921 &#8211; &#8220;Avalia\u00e7\u00e3o da Situa\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mico-Financeira-Correios &#8211; Exerc\u00edcios de 2011 a 2016&#8221;, produzido pela Controladoria Geral da Uni\u00e3o (CGU).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2) O que dizer da afirma\u00e7\u00e3o de que ningu\u00e9m mais manda carta?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o segmento \u201cmensagens\u201d tenha apresentado uma queda de receita de 4%\u00a0em 2017, o volume de mensagens nos Correios, incluindo as cartas, continua bastante expressivo. S\u00e3o indevidas as declara\u00e7\u00f5es que fazem alguns desavisados ao comentar que \u201cas cartas est\u00e3o acabando por que ningu\u00e9m mais as escreve\u201d. Isso s\u00f3 demonstra o completo desconhecimento do assunto, pois h\u00e1 d\u00e9cadas as cartas pessoais representam apenas tra\u00e7o nas estat\u00edsticas postais brasileiras. Mesmo assim, por muitos anos, a postagem de cartas cresceu, alavancada por objetos comerciais \u2013 boletos e contas \u2013 esses, sim, representam, h\u00e1 muito, a\u00a0quase totalidade dos objetos enviados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3) Os servi\u00e7os tradicionais dos Correios, especialmente a carta, n\u00e3o enfrentam nesse momento uma situa\u00e7\u00e3o de obsolesc\u00eancia, com a prolifera\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1997, com a populariza\u00e7\u00e3o da internet, foi anunciado o fim da comunica\u00e7\u00e3o em papel. Naquela ocasi\u00e3o, os Correios lan\u00e7aram, de forma pioneira no mundo, o telegrama e a carta via internet, demonstrando que n\u00e3o h\u00e1 que se ter receio da inova\u00e7\u00e3o, mas sim aproveit\u00e1-la em benef\u00edcio dos clientes. A comunica\u00e7\u00e3o em papel tem ainda um espa\u00e7o importante na vida das pessoas, pois em muitas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 mais conveniente ou eficaz que a comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4) Sobre o desequil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro, o relat\u00f3rio da CGU explica suas causas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A CGU menciona as quest\u00f5es da defasagem tarif\u00e1ria e das mudan\u00e7as dos crit\u00e9rios cont\u00e1beis. Talvez fosse importante que enfatizasse mais a import\u00e2ncia das mudan\u00e7as cont\u00e1beis, em fun\u00e7\u00e3o de seu significativo impacto para o quadro econ\u00f4mico-financeiro dos Correios. Quem l\u00ea o relat\u00f3rio rapidamente, talvez n\u00e3o perceba isso com facilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5) Se a empresa sempre deu lucro, por que a partir de 2013 come\u00e7ou a acumular preju\u00edzos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do que vem sendo afirmado, o desequil\u00edbrio financeiro dos Correios n\u00e3o decorre da redu\u00e7\u00e3o de seus neg\u00f3cios, nem dos efeitos do plano de sa\u00fade dos trabalhadores, vilanizado pela atual dire\u00e7\u00e3o. Na verdade, o fator que influenciou, de forma decisiva, para a invers\u00e3o de resultados foi mesmo a mudan\u00e7a na contabiliza\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es com o chamado benef\u00edcio p\u00f3s-emprego. Al\u00e9m disso, entre 2007 e 2013, o Governo Federal levou dos Correios, em valores atualizados, cerca de R$ 6 bilh\u00f5es de reais de dividendos, al\u00e9m do m\u00ednimo estabelecido em lei, que \u00e9 25% do lucro l\u00edquido. Isso descapitalizou a empresa, que chegara a ter, aproximadamente, esse mesmo valor em caixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo: o acionista, por meio de recolhimentos excessivos, limpou o caixa, deixando a empresa sem recursos para seus investimentos e muito menos para a constitui\u00e7\u00e3o de um fundo para enfrentar os novos crit\u00e9rios de provisionamento das despesas p\u00f3s-emprego. O resultado disso vem espelhado nos balan\u00e7os dos Correios desde 2013, conforme retrata o relat\u00f3rio produzido pela CGU.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6) O que \u00e9 p\u00f3s-emprego?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o as despesas futuras que a empresa ter\u00e1 com seus empregados, a partir do momento em que deixarem a organiza\u00e7\u00e3o. Trata-se principalmente das despesas com planos de previd\u00eancia privada e com assist\u00eancia m\u00e9dica, hospitalar e odontol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7) Como os benef\u00edcios p\u00f3s-emprego eram tratados nos Correios, antes da ado\u00e7\u00e3o dos novos crit\u00e9rios cont\u00e1beis de provisionamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes a sistem\u00e1tica utilizada era de pagamento \u00e0 medida em que a despesa se apresentava (<em>pay-as-you-go<\/em>). Com a mudan\u00e7a nos crit\u00e9rios cont\u00e1beis, passou a ser exigido o pr\u00e9-pagamento, ou seja, o provisionamento (<em>pre-funding<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8) Por que essa mudan\u00e7a cont\u00e1bil gerou um impacto t\u00e3o grande nas finan\u00e7as da empresa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de 2013, com a implanta\u00e7\u00e3o da norma CPC 33, que exige a contabiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de despesas com p\u00f3s-emprego (sa\u00fade, previd\u00eancia etc), os Correios foram obrigados a provisionar um volume elevado de recursos, at\u00e9 novembro\/17, em torno de R$ 9 bilh\u00f5es, para arcar no futuro com tais despesas. Esse provisionamento compromete praticamente todo o patrim\u00f4nio da empresa. E, al\u00e9m do provisionamento, os Correios tamb\u00e9m precisam contabilizar anualmente o servi\u00e7o (juros) referentes a esse valor, que representa algo em torno de R$ 1 bilh\u00e3o. Esse montante equivale ao maior lucro j\u00e1 registrado pela empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9) Como era a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira da empresa antes da ado\u00e7\u00e3o das novas regras cont\u00e1beis?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2012, \u00faltimo ano antes da ado\u00e7\u00e3o da contabiliza\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-emprego, a empresa teve receitas de R$ 16,5 bilh\u00f5es e um lucro l\u00edquido de 1,04 bilh\u00e3o. A partir de 2013, com as novas regras, a situa\u00e7\u00e3o mudou radicalmente, produzindo resultados catastr\u00f3ficos no patrim\u00f4nio da empresa e em seus resultados anuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10) Se esses novos crit\u00e9rios cont\u00e1beis foram t\u00e3o danosos, a empresa poderia optar por n\u00e3o os adotar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reconhecimento do benef\u00edcio p\u00f3s-emprego nos balan\u00e7os das empresas \u00e9 uma medida legal no Brasil e est\u00e1 alinhado a pr\u00e1ticas internacionais, ainda que nos EUA n\u00e3o constitua uma obriga\u00e7\u00e3o das empresas, que podem fazer ou n\u00e3o esse tipo de provisionamento. Segundo soubemos, apenas 30% das empresas listadas na Fortune 1000 (mil maiores empresas norte-americanas) fazem esse tipo de provisionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11) A empresa poderia ter sido preparada para enfrentar essas mudan\u00e7as na forma do provisionamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com certeza, sim. Primeiramente, sabendo da mudan\u00e7a cont\u00e1bil a ser implantada, o Governo Federal poderia ter evitado o recolhimento excessivo de dividendos da empresa. Poderia tamb\u00e9m ter mantido nossas tarifas atualizadas. E, por \u00faltimo poderia ter orientado a forma\u00e7\u00e3o de um fundo, para garantir o p\u00f3s-emprego. Em vez disso, o que se viu foi a aus\u00eancia de medidas preliminares do Governo Federal e das pr\u00f3prias dire\u00e7\u00f5es da empresa para lidar com o impacto cont\u00e1bil dessa magnitude. As conseq\u00fc\u00eancias aparecem claramente no balan\u00e7o. Houve falha de \u00f3rg\u00e3os como a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional \/ Minist\u00e9rio da Fazenda (PGFN\/MF) e a Secretaria de Coordena\u00e7\u00e3o e Governan\u00e7a das Empresas Estatais \/ Minist\u00e9rio do Planejamento, Desenvolvimento e Gest\u00e3o (SEST), que deveriam cuidar da sustentabilidade das estatais, antevendo riscos e preparando contramedidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12) Considerando que n\u00e3o foram tomadas medidas preventivas, ainda \u00e9 poss\u00edvel buscar solu\u00e7\u00f5es para reverter a situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que os Correios e outras grandes empregadoras estatais possam lidar com essa nova realidade cont\u00e1bil, imposta sem a devida prepara\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o necess\u00e1rias medidas estruturantes. No entanto, enquanto elas n\u00e3o existem, medidas paliativas podem, pelo menos, assegurar os compromissos assumidos com os benef\u00edcios do p\u00f3s-emprego. As autoridades do Governo Federal deveriam se concentrar na avalia\u00e7\u00e3o de medidas como, por exemplo, a montagem de um fundo com t\u00edtulos p\u00fablicos para capitalizar os Correios. O que n\u00e3o se pode aceitar \u00e9 que empresas estatais como os Correios sejam abandonadas \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Amea\u00e7as de privatiza\u00e7\u00e3o ou, simplesmente, atribuir aos direitos conquistados pelos trabalhadores a culpa pelo quadro deficit\u00e1rio \u00e9, no m\u00ednimo, uma atitude irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13) Se os reais motivos do desequil\u00edbrio financeiro dos Correios s\u00e3o as mudan\u00e7as cont\u00e1beis e a descapitaliza\u00e7\u00e3o da empresa, por que autoridades e, mesmo, dirigentes continuam atribuindo a responsabilidade a uma s\u00e9rie de outros fatores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realmente, n\u00e3o \u00e9 raro ouvir an\u00e1lises superficiais que buscam atribuir a responsabilidade pelo atual quadro econ\u00f4mico-financeiro \u00e0s despesas com o plano de sa\u00fade ou \u00e0 inefic\u00e1cia de gest\u00f5es anteriores. Ao afirmarem isso, n\u00e3o levam em conta que o plano de sa\u00fade dos Correios existe h\u00e1 d\u00e9cadas e que em outros anos as m\u00e9tricas utilizadas apontavam para uma organiza\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, com resultados equilibrados e consistentes, conforme consta nos balan\u00e7os e relat\u00f3rios de gest\u00e3o e de administra\u00e7\u00e3o. Considero imprescind\u00edvel que isso seja bem esclarecido, porque a busca de solu\u00e7\u00f5es passa sempre por entender as reais causas de um problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>14) O que est\u00e1 acontecendo com os Correios no Brasil j\u00e1 ocorreu com outros correios?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2006, o correio americano (USPS) teve que adotar uma mudan\u00e7a cont\u00e1bil similar a essa. O contexto era um pouco diferente do nosso, ou seja, n\u00e3o se tratava da implanta\u00e7\u00e3o de uma nova norma cont\u00e1bil, pois l\u00e1 esse pr\u00e9-pagamento n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio, mas sim de uma determina\u00e7\u00e3o do Congresso. Decis\u00e3o tomada para manter com o Tesouro Americano um excedente de recursos recolhidos pelo correio para o fundo previdenci\u00e1rio. Com o tempo, a medida se mostrou desastrosa para o USPS e tem motivado uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es sobre sua adequa\u00e7\u00e3o. O USPS n\u00e3o tem conseguido pagar as presta\u00e7\u00f5es no prazo estabelecido (dez anos). Para tentar resolver a situa\u00e7\u00e3o, cogitam eliminar a obrigatoriedade do pr\u00e9-pagamento ou o financiamento do pagamento em 40 anos, em vez dos atuais 10, mas o tema n\u00e3o est\u00e1 ainda pacificado por l\u00e1.<br \/>\nO fato concreto \u00e9 que, ap\u00f3s essa medida, o USPS, que nunca dependera do Tesouro Americano, n\u00e3o conseguiu mais se reequilibrar financeiramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>15) \u00a0Como representante dos empregados no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o dos Correios, qual tem sido a sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a este tema?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para que se encontre o caminho da sustentabilidade, \u00e9 fundamental adotar medidas de corre\u00e7\u00e3o dos efeitos da aplica\u00e7\u00e3o das novas pr\u00e1ticas cont\u00e1beis nos Correios. Com o intuito de auxiliar na busca de medidas efetivas, tenho me dedicado a estudar o assunto e realizado reuni\u00f5es com \u00e1reas t\u00e9cnicas da empresa. Tamb\u00e9m estou buscando aprender com a experi\u00eancia de outras organiza\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o passando pela mesma situa\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do correio americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>16) Que provid\u00eancias o conselheiro j\u00e1 tomou para tentar minimizar a situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em novembro apresentamos, em reuni\u00e3o do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o abordando o tema p\u00f3s-emprego e seu impacto nos resultados da empresa. A partir da apresenta\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o, adotamos as seguintes medidas relacionadas ao aprofundamento da discuss\u00e3o do tema:<\/p>\n<p>&#8211; envio de of\u00edcio aos ministros &#8211; MCTIC, Fazenda, Planejamento e Casa Civil, apresentando a alternativa adicional de se avaliar o ajuste de normas e leis, para reduzir o impacto dessas mudan\u00e7as cont\u00e1beis nas empresas estatais; essa alternativa se somava \u00e0 proposta originalmente apresentada de aporte de capital;<br \/>\n&#8211; recebimento de resposta da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Participa\u00e7\u00f5es Acion\u00e1rias do Tesouro Nacional, informando a posi\u00e7\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o, contr\u00e1ria \u00e0 mudan\u00e7a das normas e leis, e acrescentando que a Coordena\u00e7\u00e3o estava ciente das dificuldades econ\u00f4mico-financeiras enfrentadas pela empresa e que vinha adotando, no \u00e2mbito de sua atua\u00e7\u00e3o, todas as medidas cab\u00edveis para solu\u00e7\u00e3o do problema;<br \/>\n&#8211; envio de of\u00edcio \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Participa\u00e7\u00f5es Acion\u00e1rias do Tesouro Nacional esclarecendo alguns pontos do posicionamento inicialmente apresentado e refor\u00e7ando a expectativa de que encontrem meios de corrigir os efeitos causados na empresa pela aplica\u00e7\u00e3o da CPC 33, logo ap\u00f3s um processo de forte descapitaliza\u00e7\u00e3o induzido pelo controlador (Governo Federal).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, realizamos diversas reuni\u00f5es com \u00e1reas t\u00e9cnicas da empresa, buscando aprofundar nosso conhecimento sobre o tema. Temos convic\u00e7\u00e3o de que adotar medidas para corrigir os efeitos da aplica\u00e7\u00e3o das novas pr\u00e1ticas cont\u00e1beis aos Correios\u00a0\u00e9 fundamental para que se encontre o caminho da sustentabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>17) Quais os maiores desafios que os Correios precisam vencer na atualidade para se manterem sustent\u00e1veis?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, resolver a contabiliza\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-emprego, de forma que a empresa tenha uma vis\u00e3o mais adequada de seus reais resultados. Em paralelo, aprimorar a qualidade operacional, considerando, inclusive, a absor\u00e7\u00e3o de crescentes volumes de encomendas; desenvolver a empresa, aproveitando as oportunidades abertas pela Lei n\u00ba 12.490\/11, de moderniza\u00e7\u00e3o dos Correios, e implantar, de maneira integral, as disposi\u00e7\u00f5es da Lei n\u00ba 13.303\/2016 (lei das estatais), profissionalizando a gest\u00e3o do topo \u00e0 base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcos C\u00e9sar Alves Silva<\/strong>\u00a0(foto) \u00e9 Administrador Postal Senior, membro eleito pelos trabalhadores para o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o dos Correios e associado da ADCAP.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-9369 size-full\" src=\"http:\/\/www.adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/marcos-2.jpg\" alt=\"\" width=\"227\" height=\"248\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Empresa tem preocupado os associados que n\u00e3o compreendem como uma organiza\u00e7\u00e3o lucrativa e independente passou de repente a ostentar preju\u00edzos bilion\u00e1rios. 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