{"id":6114,"date":"2016-02-22T19:51:31","date_gmt":"2016-02-22T19:51:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/?p=6114"},"modified":"2016-02-22T19:51:31","modified_gmt":"2016-02-22T19:51:31","slug":"ma-gerencia-ajuda-a-explicar-perdas-dos-fundos-de-pensao-das-estatais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/ma-gerencia-ajuda-a-explicar-perdas-dos-fundos-de-pensao-das-estatais\/","title":{"rendered":"M\u00e1 ger\u00eancia ajuda a explicar perdas dos fundos de pens\u00e3o das estatais"},"content":{"rendered":"<p>Extra<br \/>\n22\/02\/2016<\/p>\n<p>RIO \u2014 O ver\u00e3o de 2008 \u00e9 inesquec\u00edvel para Pedro C\u00e9lio Arantes. Depois de tr\u00eas d\u00e9cadas nos Correios come\u00e7ou vida nova em Bras\u00edlia, com a renda poupada em 27 anos de investimentos no fundo de pens\u00e3o estatal Postalis. Como outros 212 mil s\u00f3cios da funda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia imaginar que o seu patrim\u00f4nio era subtra\u00eddo em obscuras transa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em janeiro, por exemplo, quando Arantes se aposentou, o Postalis concentrara aplica\u00e7\u00f5es de R$ 100 milh\u00f5es em uma d\u00fazia de empresas privadas. Em mar\u00e7o, R$ 73 milh\u00f5es j\u00e1 estavam classificados como perdas irrecuper\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quatro ver\u00f5es depois, enquanto Arantes recebia um \u201cdesconto\u201d de 12% no rendimento, imposto para cobrir o rombo nas contas do Postalis, um professor de ioga em Miami celebrava o maior neg\u00f3cio da sua vida.<\/p>\n<p>O paraense Fabrizio Dulcetti Neves ganhou uma bolada de US$ 14 milh\u00f5es (R$ 56 milh\u00f5es) agenciando t\u00edtulos no exterior para o fundo dos Correios.<\/p>\n<p>O Postalis possu\u00eda uma reserva em d\u00f3lares, lastreada em t\u00edtulos da d\u00edvida externa brasileira. Dulcetti Neves trocou tudo por pap\u00e9is emitidos pela Argentina e Venezuela, sem valor de mercado. Desapareceram R$ 380 milh\u00f5es das contas do fundo de pens\u00e3o no banco Mellon, de Nova York.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos (SEC, na sigla em ingl\u00eas) alertou o governo brasileiro. Descobriu que o Postalis pagava at\u00e9 67% de comiss\u00e3o ao corretor, parceiro de um \u201cexecutivo de alto escal\u00e3o\u201d do fundo estatal.<\/p>\n<p>Prevendo consequ\u00eancias judiciais, o banco Mellon seguiu a pista do dinheiro e identificou uma empresa no para\u00edso fiscal caribenho das Ilhas Virgens: Spectra unia Dulcetti Neves ao ent\u00e3o presidente do Postalis, Alexej Predtechensky.<\/p>\n<p>\u201cRusso\u201d, como ele \u00e9 conhecido, chegara ao Postalis na esteira de um acordo do presidente Lula com a c\u00fapula do PMDB na campanha da reelei\u00e7\u00e3o presidencial, em 2006. Por isso, o fundo dos Correios foi o \u00fanico entre os maiores estatais a ficar fora do controle da burocracia sindical do Partido dos Trabalhadores.<\/p>\n<p>Dilma Rousseff demitiu \u201cRusso\u201d em 2012, quando ele j\u00e1 acumulava 74 processos na fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia. E entregou a vaga ao PT.<\/p>\n<p>Wagner Pinheiro, que chefiava os Correios, nomeou Antonio Carlos Conquista, seu antigo aliado de ativismo no Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo e na Central \u00danica dos Trabalhadores.<\/p>\n<p>Conquista chefiara o gabinete de Pinheiro na presid\u00eancia do fundo de pens\u00e3o da Petrobras, durante o governo Lula. Tamb\u00e9m passara pelo comando do Geap, funda\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dos servidores federais, que deixou sob interven\u00e7\u00e3o federal, com um d\u00e9ficit R$ 360 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando chegou ao Postalis teve a consultoria de Jo\u00e3o Vaccari Neto, ex-presidente do sindicato paulistano e tesoureiro do PT. Vaccari est\u00e1 preso, acusado de corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro em neg\u00f3cios da Petrobras.<\/p>\n<p>\u2014 Eu ia ao PT \u2014 contou \u00e0 CPI dos Fundos de Pens\u00e3o. \u2014 Convers\u00e1vamos sobre o que eu poderia fazer.<\/p>\n<p>O resultado do loteamento pol\u00edtico dos fundos estatais nos governos Lula e Dilma \u00e9 um d\u00e9ficit superior a R$ 46 bilh\u00f5es em 2015, na estimativa oficial.<\/p>\n<p>Dois ter\u00e7os do rombo se concentram nas funda\u00e7\u00f5es dos Correios, Petrobras e Caixa. A conta ser\u00e1 dividida entre os associados e as empresas patrocinadoras \u2014 ou seja, pela sociedade, porque elas s\u00e3o controladas pelo Tesouro.<\/p>\n<p>No acervo de preju\u00edzos s\u00e3o evidentes as rotinas de m\u00e1 ger\u00eancia e os padr\u00f5es de investimentos em neg\u00f3cios privados sem retorno. Com frequ\u00eancia, os fundos estatais somam preju\u00edzos num mesmo empreendimento.<\/p>\n<p>O estoque de perdas bilion\u00e1rias motiva inqu\u00e9ritos sobre corrup\u00e7\u00e3o no Congresso e na Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m acirra conflitos: na Petros o conselho fiscal rejeita todas as contas h\u00e1 12 anos seguidos.<\/p>\n<p>O fundo da Petrobras j\u00e1 deu como perdidos R$ 730 milh\u00f5es aplicados em sete dezenas de projetos dos grupos Morada, Cruzeiro do Sul, BVA, Trendbank, Galileo, Schahin, Eletrosom, Riviera, Celpa e Inepar, entre outros.<\/p>\n<p>No portf\u00f3lio de fracassos reluzem casos como o da Lupatech, do setor de v\u00e1lvulas industriais, que recebeu R$ 60 milh\u00f5es quando seu patrim\u00f4nio j\u00e1 estava negativo. E o da Ind\u00fastria de Metais do Vale, do falecido deputado do Jos\u00e9 Janene (PP-PR) e do doleiro Alberto Youssef, com suspeita de propina de R$ 500 mil para dois diretores da funda\u00e7\u00e3o. Segundo a Petros, os investimentos \u201cest\u00e3o sendo recuperados\u201d e \u201cnunca foi comprovada nenhuma atitude conden\u00e1vel\u201d dos seus diretores.<\/p>\n<p>O fundo da Caixa \u00e9 refer\u00eancia em relat\u00f3rios do \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o, a Previc, pela colet\u00e2nea de decis\u00f5es de investimentos de alto risco quase sempre tomadas contra as pr\u00f3prias avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e jur\u00eddicas.<\/p>\n<p>Assim foi na aplica\u00e7\u00e3o de R$ 629 milh\u00f5es em projetos de portos e log\u00edstica; de R$ 75 milh\u00f5es na Termel\u00e9trica de Pernambuco, e de R$ 187,7 milh\u00f5es no FIP Multiner (segundo a Previc, tr\u00eas anos antes a funda\u00e7\u00e3o j\u00e1 diagnosticara \u201cproblemas estruturais e de governan\u00e7a\u201d al\u00e9m de um endividamento de R$ 2 bilh\u00f5es no Multiner). A Funcef ressalva que \u201cn\u00e3o h\u00e1 direcionamento para quaisquer tipos de investimentos\u201d.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es para o d\u00e9ficit? Funcef calcula se reequilibrar \u201cem 17,4 anos\u201d. Petros estuda o que vai fazer a partir de janeiro do ano que vem. Postalis prev\u00ea zerar as contas a partir de 2037, quando o aposentado Pedro C\u00e9lio Arantes completa 90 anos de vida.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, ele acha, sua renda ser\u00e1 reduzida em 40%: \u2014 Fui enganado, porque diziam que o investimento era seguro.<\/p>\n<p>S\u00f3 resta uma sa\u00edda, acredita: \u2014 Agora \u00e9 apostar na CPI, no Minist\u00e9rio P\u00fablico e na Pol\u00edcia Federal como salva\u00e7\u00e3o, para recuperar o dinheiro perdido.<\/p>\n<p><b>O PT pintou e bordou nos fundos de pens\u00e3o de estatais, e o rombo passa de R$ 44 bilh\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>Veja<br \/>\n22\/02\/2016<\/p>\n<p>Os associados dos fundos de pens\u00e3o receber\u00e3o uma aposentadoria menor do que esperavam em raz\u00e3o da gest\u00e3o desastrosa desses entes, levada a efeito pelos petistas. Quinhentas mil pessoas ser\u00e3o diretamente prejudicadas. Mas, como \u00e9 sabido, o dinheiro tamb\u00e9m sair\u00e1 dos cofres p\u00fablicos, uma vez que o Tesouro acabar\u00e1 socorrendo as estataisaros, eu perdi a conta do n\u00famero de vezes em que escrevi neste blog que o real poder do PT est\u00e1 nos fundos de pens\u00e3o. E assim j\u00e1 era antes ainda de o partido chegar ao poder. Reportagem do Globo deste domingo informa a situa\u00e7\u00e3o calamitosa a que os \u201ccompanheiros\u201d conduziram os fundos das estatais.<\/p>\n<p>Em agosto do ano passado, na \u00faltima medi\u00e7\u00e3o oficial, o rombo na Petros (da Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios) chegava a R$ 29,6 bilh\u00f5es. O balan\u00e7o fechado do ano passado, a ser divulgado em abril, deve elevar esse n\u00famero para espetaculares R$ 44,4 bilh\u00f5es, sete vezes maior do que as perdas admitidas com as safadezas na Petrobras.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o licen\u00e7a para produzir trecho de um texto que publiquei aqui no dia 3 de fevereiro de 2009, h\u00e1 sete anos portanto. Prestem aten\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cO PT TEM DOIS PODERES: O TEMPOR\u00c1RIO E O PERMANENTE. O PRIMEIRO DEPENDE DAS URNAS; O SEGUNDO \u00c9 GARANTIDO PELO CIPOAL LEGAL QUE REGULA OS FUNDOS DE PENS\u00c3O, QUE CONFERE AOS SINDICATOS O CONTROLE DE UM PATRIM\u00d4NIO DE QUASE R$ 300 BILH\u00d5ES. E O PT COMANDA BOA PARTE DOS SINDICATOS, ESPECIALMENTE OS DE EMPRESAS ESTATAIS, O QUE LHE FACULTA O COMANDO DOS FUNDOS DE PENS\u00c3O INDEPENDENTEMENTE DO QUE DIGAM AS URNAS.<\/p>\n<p>POUCO IMPORTA QUEM SEJA O PR\u00d3XIMO PRESIDENTE, JOS\u00c9 SERRA OU DILMA ROUSSEFF, A, SEM TROCADILHO, REAL GRANDEZA DO PT SE MANT\u00c9M PRATICAMENTE INALTERADA.<\/p>\n<p>Se voc\u00eas procurarem no arquivo do blog, encontrar\u00e3o centenas de textos em que sustento que o poder real do PT n\u00e3o est\u00e1 no controle das verbas do Or\u00e7amento. Sem d\u00favida, ali se encontra uma fonte imensa de recursos, mas o partido \u00e9 obrigado a dividi-los com parceiros de igual ou maior apetite, a come\u00e7ar do PMDB \u2013 que \u00e9 o que \u00e9, ou n\u00e3o estaria junto com o petismo. O dinheiro do Or\u00e7amento dispon\u00edvel para investimento, al\u00e9m de mais escasso, est\u00e1 sujeito a controles e a uma maior vigil\u00e2ncia da imprensa. J\u00e1 os fundos\u2026 Na pr\u00e1tica, ningu\u00e9m controla. Como boa parte da sua capitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com recursos p\u00fablicos, eles representam uma apropria\u00e7\u00e3o do dinheiro p\u00fablico pela m\u00e1quina sindical.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria hist\u00f3ria da privatiza\u00e7\u00e3o, vista pelo \u00e2ngulo da participa\u00e7\u00e3o dos fundos de pens\u00e3o, nos revelaria que a economia brasileira \u00e9 bem menos privada do que parece. N\u00e3o! Escrevo de outro modo: os grandes benefici\u00e1rios da privatiza\u00e7\u00e3o foram os sindicatos das empresas estatais \u2013 e isso quer dizer Central \u00danica dos Trabalhadores.<\/p>\n<p>Uma das maiores lamban\u00e7as do governo Lula \u2013 a disputa entre o banqueiro Daniel Dantas e o petismo pelo controle da Brasil Telecom, finalmente vendida \u00e0 Oi ao arrepio da lei ent\u00e3o vigente, mudada s\u00f3 para possibilitar o neg\u00f3cio \u2013 teve os fundos como protagonistas. Os petistas mandaram, e eles romperam com Dantas, aliando-se a seus advers\u00e1rios. Alijado do controle da BrT, o banqueiro acabou concordando com a venda (\u2026)<\/p>\n<p>Retomo<\/p>\n<p>Sabem quem vai pagar pelo rombo? Sim, em parte, os associados aos pr\u00f3prios fundos. Mas tamb\u00e9m vai entrar dinheiro das respectivas estatais. Vale dizer: n\u00f3s todos arcaremos com as consequ\u00eancias dos investimentos feitos pelos \u201ccompanheiros\u201d.<\/p>\n<p>Reproduzo um trecho da reportagem do Globo:<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos respons\u00e1veis pelos d\u00e9ficits das funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas tem em comum a origem no ativismo sindical. Nos \u00faltimos 12 anos, os principais gestores dos fundos de Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Correios sa\u00edram das fileiras do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma caracter\u00edstica dos governos Lula e Dilma, e as raz\u00f5es t\u00eam mais a ver com perspectivas de poder e neg\u00f3cios do que com ideologias.<\/p>\n<p>Os sindicalistas-gestores agem como for\u00e7a-tarefa alinhada ao governo. Comp\u00f5em uma casta emergente na burocracia do PT. Agregam interesses pela capacidade de influir no acesso de grandes empresas ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), fonte principal de recursos subsidiados do BNDES. Onde n\u00e3o t\u00eam hegemonia, por efeito do loteamento administrativo, convivem em tens\u00e3o permanente com indicados pelo PMDB e outros partidos, caso do Postalis.\u201d<\/p>\n<p>Os associados dos fundos de pens\u00e3o receber\u00e3o uma aposentadoria menor do que esperavam em raz\u00e3o da gest\u00e3o desastrosa desses entes, levada a efeito pelos petistas. Quinhentas mil pessoas ser\u00e3o diretamente prejudicadas. Mas, como \u00e9 sabido, o dinheiro tamb\u00e9m sair\u00e1 dos cofres p\u00fablicos, uma vez que o Tesouro acabar\u00e1 socorrendo as estatais.<\/p>\n<p>S\u00f3 na Sete Brasil, a empresa que deveria construir navios-sonda e s\u00f3 produziu esc\u00e2ndalos, Petros e Funcef j\u00e1 perderam R$ 828 milh\u00f5es, e Previ, R$ 161 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem acompanha de perto o caso dos fundos de pens\u00e3o n\u00e3o tem d\u00favida: no dia em que se fizer a devida radiografia do estrago neles produzido pelo petismo, as lamban\u00e7as do petrol\u00e3o v\u00e3o parecer coisa de bandido p\u00e9 de chinelo.<\/p>\n<p><b>Fundos apostam em neg\u00f3cios de alto risco, com apoio do governo<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/image005.jpg\" data-rel=\"penci-gallery-image-content\" ><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-6116\" src=\"http:\/\/www.adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/image005.jpg\" alt=\"image005\" width=\"442\" height=\"265\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Globo<br \/>\n21\/02\/2016<\/p>\n<p>RIO \u2014 Fundador de uma empresa que recebeu R$ 3 bilh\u00f5es em investimentos dos fundos de pens\u00e3o da Petrobras, da Caixa Econ\u00f4mica Federal e do Banco do Brasil, Jo\u00e3o Carlos Ferraz inquietou-se na cadeira ao ouvir as perguntas:<\/p>\n<p>\u2014 O senhor disse que num momento de fraqueza recebeu propina milion\u00e1ria no exterior? Tamb\u00e9m prometeu devolver uma parte e repatriar outra?<\/p>\n<p>O antigo presidente da Sete Brasil respondeu quase sussurrando: \u2014 Gostaria de reafirmar que eu vou permanecer em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Uma voz alta surgiu no plen\u00e1rio da CPI dos Fundos de Pens\u00e3o, ironizando: \u2014 Se \u00e9 verdade, vai tomar um baita preju\u00edzo, porque levou propina com o d\u00f3lar a dois reais e pouco e vai devolver a quatro e pouco&#8230; Talvez seja um dos bons investimentos que a Petrobras fez nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Os fundos de previd\u00eancia estatais ainda se encontram no lado menos vis\u00edvel das investiga\u00e7\u00f5es sobre corrup\u00e7\u00e3o nos neg\u00f3cios da Petrobras. Mas as evid\u00eancias dos enlaces em neg\u00f3cios suspeitos se espraiam por diferentes inqu\u00e9ritos. E s\u00e3o real\u00e7adas pelo acervo de preju\u00edzos bilion\u00e1rios que as funda\u00e7\u00f5es acumularam nos \u00faltimos 12 anos.<\/p>\n<p>O caso da Sete Brasil \u00e9 exemplar. Criada no governo Lula, dentro de uma Petrobras euf\u00f3rica com o pr\u00e9-sal, previa construir 28 navios-sondas para a petroleira. Os fundos Petros e Funcef compraram 18% das cotas do empreendimento. A Previ se limitou a 3,5%.<\/p>\n<p>PROPINAS PARA GERENTES DA PETROBRAS<\/p>\n<p>Ap\u00f3s meia d\u00e9cada, empresa e sondas s\u00f3 existem no papel. O dinheiro das aposentadorias virou p\u00f3: Petros e Funcef j\u00e1 perderam R$ 828 milh\u00f5es, e Previ, R$ 161 milh\u00f5es. Os fundos justificam o fracasso indicando as \u201cperspectivas favor\u00e1veis\u201d do projeto em 2010, quando o barril de petr\u00f3leo custava US$ 100 (fechou a semana a US$ 33).<\/p>\n<p>Sobraram propinas, como as recebidas por Jo\u00e3o Carlos Ferraz e Pedro Barusco, ex-gerentes da Petrobras que montaram o projeto, se aposentaram na estatal e viraram executivos da Sete Brasil. Na Justi\u00e7a fizeram acordos de dela\u00e7\u00e3o, prometendo devolver os subornos: Barusco contabilizou US$ 97 milh\u00f5es (R$ 388 milh\u00f5es); Ferraz declarou US$ 1,9 milh\u00e3o (R$ 7,6 milh\u00f5es), e batalha para evitar o sequestro judicial dos b\u00f4nus recebidos (R$ 11,5 milh\u00f5es) na presid\u00eancia da companhia.<\/p>\n<p>Os d\u00e9ficits nas funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas t\u00eam origem em atos t\u00edpicos de gest\u00e3o temer\u00e1ria, em neg\u00f3cios obscuros e nos fr\u00e1geis sistemas de controle.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 not\u00e1vel que os fundos de pens\u00e3o estatais integrem um circuito bilion\u00e1rio de neg\u00f3cios sem controle efetivo \u2014 diz o deputado federal Raul Jugmann (PPS-PE). \u2014 Os dirigentes n\u00e3o respeitam as regras, a fiscaliza\u00e7\u00e3o faz vista grossa, a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios n\u00e3o tem poder para punir, e o Congresso n\u00e3o entende, s\u00f3 se interessa pelo assunto episodicamente.<\/p>\n<p>Organismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o recebem apelos constantes para interven\u00e7\u00e3o nos fundos estatais deficit\u00e1rios. Respons\u00e1vel pela supervis\u00e3o setorial, a Previc, do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia, responde com a lembran\u00e7a \u201cdos limites legais de sua compet\u00eancia\u201d, e a necessidade de \u201cavaliar tecnicamente pressupostos, necessidade e consequ\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/image004.jpg\" data-rel=\"penci-gallery-image-content\" ><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-6117\" src=\"http:\/\/www.adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/image004.jpg\" alt=\"image004\" width=\"712\" height=\"428\" \/><\/a><br \/>\nO hist\u00f3rico recente dos investimentos desses fundos de previd\u00eancia indica que apostas de alto risco, como a realizada na Sete Brasil, n\u00e3o foram acidentais. Havia um grupo de sindicalistas-gestores trabalhando de forma coordenada. Em agosto de 2003, eles se reuniram com Lula na sede da Petrobras, no Rio. Sa\u00edram convencidos de que deveriam apoiar integralmente todos os projetos governamentais de infraestrutura.<\/p>\n<p>O alinhamento com o Pal\u00e1cio do Planalto, orientado pelo secret\u00e1rio de Comunica\u00e7\u00e3o Luiz Gushiken, intensificou-se a partir da autoriza\u00e7\u00e3o para confrontar parceiros privados \u2014 como o grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas\u2014, considerados impeditivos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o mais direta no controle de empresas de telefonia, privatizadas no governo anterior. Estabeleceram uma rotina de reuni\u00f5es, uniram recursos e partiram para a batalha societ\u00e1ria.<\/p>\n<p>Venceram. Desde ent\u00e3o, com respaldo do Planalto, houve uma escalada nas aplica\u00e7\u00f5es de alto risco com o dinheiro das aposentadorias, a despeito de contra-indica\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas internas ou da oposi\u00e7\u00e3o no conselho fiscal.<\/p>\n<p>\u2014 Na Petros adotou-se um estilo extremamente autorit\u00e1rio, invertendo-se a l\u00f3gica da governan\u00e7a\u2014 conta Fernando Siqueira, ex-representante eleito nos conselhos fiscal e deliberativo.<\/p>\n<p>Apesar das perdas e danos, o legado do loteamento pol\u00edtico \u00e9 defendido pelos atuais diretores dessas funda\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m origin\u00e1rios desse proceso. A Funcef, por exemplo, admite \u201cresultados deficit\u00e1rios\u201d, mas os atribui ao \u201cfraco desempenho das economias nacional e internacional\u201d. Acha que se constitui num \u201cmodelo&#8221; de governan\u00e7a. A Petros se afirma empenhada em \u201ccontinuar refor\u00e7ando\u201d controles. No Postalis rejeita-se a palavra \u201cd\u00e9ficit\u201d. Diz-se apenas que \u201cn\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de super\u00e1vit\u201d.<\/p>\n<p>Para aposentados como Livaldo Pereira de Souza, s\u00f3cio da Petros, Maria do Socorro Ramalho, da Funcef, e Jackson Mendes, do Postalis, resta uma certeza: sua renda ser\u00e1 reduzida. Com sorte, talvez consigam recuper\u00e1-la antes do Carnaval de 2035.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/fundos-apostam-em-negocios-de-alto-risco-com-apoio-do-governo-18718014\" target=\"_blank\">http:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/fundos-apostam-em-negocios-de-alto-risco-com-apoio-do-governo-18718014<\/a><\/p>\n<p><b>Perdas e danos de um projeto de poder<\/b><\/p>\n<p>Extra<br \/>\n21\/02\/16<\/p>\n<p>De segunda a sexta, \u00e9 tudo sempre igual. Sai de casa cedo, no Jardim Am\u00e9rica, Zona Norte, viaja uma hora at\u00e9 o Centro do Rio e passa o dia \u00e0 espera de um servi\u00e7o de despachante no entorno da sede da Petrobras, onde trabalhou um ter\u00e7o da vida. Deixou a estatal, em 1993, levando um plano de previd\u00eancia anunciado na empresa como a garantia de um \u201cfuturo mais tranquilo\u201d.<\/p>\n<p>Aos 71 anos, Livaldo Pereira de Souza \u00e9 um aposentado preocupado com o seu futuro e o de outras 150 mil pessoas que, como ele, apostaram no fundo de previd\u00eancia da Petrobras:<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a Petros possa estar em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil \u2014 hesita. \u2014 Quando mais vou precisar, ela n\u00e3o poder\u00e1 pagar minha pens\u00e3o? Como um fundo como a Petros, que tinha um dos maiores patrim\u00f4nios depois da Previ (Banco do Brasil), pode estar em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil? Isso s\u00f3 pode ser m\u00e1 gest\u00e3o dos dirigentes, que sempre foram nomeados por indica\u00e7\u00e3o do governo federal.<\/p>\n<p>Afli\u00e7\u00e3o similar h\u00e1 um ano consome o cotidiano em Bras\u00edlia de Maria do Socorro Ramalho, de 56 anos. Ex-funcion\u00e1ria da Caixa Econ\u00f4mica Federal, ela come\u00e7ou a ouvir rumores sobre uma crise no fundo de previd\u00eancia Funcef. O boato virou realidade numa segunda-feira, 13 de abril, quando ouviu o presidente da Funcef Carlos Alberto Caser confirmar o d\u00e9ficit:<\/p>\n<p>\u2014 Foi chocante, porque eles viviam falando que estava tudo bem.<\/p>\n<p>Maika, como prefere ser chamada, soube de uma mobiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios do fundo dos Correios. Aposentados da Funcef e do Postalis foram ao Congresso pedir ajuda para obter informa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o das contas. Ela descobriu que a situa\u00e7\u00e3o no Postalis \u00e9 bem pior que na Funcef.<\/p>\n<p>Em quatro meses de ativismo, ela percebeu tamb\u00e9m como \u00e9 a elevada sensibilidade do Legislativo \u00e0s press\u00f5es do funcionalismo: a C\u00e2mara abriu uma CPI dos Fundos de Pens\u00e3o e o Senado j\u00e1 tem outra na fila.<\/p>\n<p>Sobram motivos. Um deles \u00e9 o tamanho do d\u00e9ficit na Petros (da Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios): R$ 29,6 bilh\u00f5es, pela \u00faltima medi\u00e7\u00e3o governamental, em agosto do ano passado.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o \u00e9 a velocidade em que o rombo aumenta: m\u00e9dia de R$ 3,7 bilh\u00f5es ao m\u00eas, at\u00e9 agosto. Nesse ritmo, os balan\u00e7os de 2015 de Petros, Funcef e Postalis, cuja divulga\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista para abril, devem fechar com perdas de R$ 44,4 bilh\u00f5es \u2014 um valor sete vezes maior que as perdas reconhecidas pela Petrobras com corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pagamento dessa fatura ser\u00e1 dividido ao meio entre associados de Petros, Funcef e Postalis e as estatais patrocinadoras \u2014 ou seja, pela sociedade, porque as empresas s\u00e3o controladas pelo Tesouro Nacional. No Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia e na CPI, considera-se prov\u00e1vel que os 500 mil s\u00f3cios dos tr\u00eas fundos atravessem as pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas com redu\u00e7\u00f5es nos rendimentos. De at\u00e9 26% no caso do Postalis.<\/p>\n<p>\u2014 Roubaram meu dinheiro \u2014 desabafa Jackson Mendes, aposentado com 42 anos de trabalho nos Correios.<\/p>\n<p>Professor de Matem\u00e1tica, Mendes integra o grupo que levou a C\u00e2mara a instalar a CPI. Ele se diz convicto:<\/p>\n<p>\u2014 Fizeram investimentos mal explicados e o dinheiro virou p\u00f3.<\/p>\n<p>A maioria dos respons\u00e1veis pelos d\u00e9ficits das funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas tem em comum a origem no ativismo sindical. Nos \u00faltimos 12 anos, os principais gestores dos fundos de Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Correios sa\u00edram das fileiras do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma caracter\u00edstica dos governos Lula e Dilma, e as raz\u00f5es t\u00eam mais a ver com perspectivas de poder e neg\u00f3cios do que com ideologias.<\/p>\n<p>Os sindicalistas-gestores agem como for\u00e7a-tarefa alinhada ao governo. Comp\u00f5em uma casta emergente na burocracia do PT. Agregam interesses pela capacidade de influir no acesso de grandes empresas ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), fonte principal de recursos subsidiados do BNDES. Onde n\u00e3o t\u00eam hegemonia, por efeito do loteamento administrativo, convivem em tens\u00e3o permanente com indicados pelo PMDB e outros partidos, caso do Postalis.<\/p>\n<p>O uso dos fundos de pens\u00e3o estatais como instrumento de governo \u00e9 um tra\u00e7o peculiar do modo de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira. Moldadas no regime militar, as 89 funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas existentes disp\u00f5em de uma reserva de investimentos (R$ 450 bilh\u00f5es no ano passado) que seduz governantes: permite-lhes vislumbrar a possibilidade de induzir iniciativas econ\u00f4micas, por meio da participa\u00e7\u00e3o dos fundos na estrutura de propriedade das empresas envolvidas. Petros, Previ, Funcef e Postalis, por exemplo, concentram dois ter\u00e7os do patrim\u00f4nio dos fundos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Essas entidades paraestatais cresceram nas privatiza\u00e7\u00f5es iniciadas por Fernando Collor e Itamar Franco. Com Fernando Henrique Cardoso, passaram ao centro das mudan\u00e7as na minera\u00e7\u00e3o (Vale) e nas comunica\u00e7\u00f5es (Telef\u00f4nicas).<\/p>\n<p>Quando chegou ao Planalto, em 2003, Lula estava decidido a ampliar esse canal de influ\u00eancia sobre o setor privado, pela via da multiplica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a dos fundos de pens\u00e3o estatais e do BNDES no quadro societ\u00e1rio das empresas.<\/p>\n<p>Havia um projeto, desenhado desde os prim\u00f3rdios do PT e da Central \u00danica dos Trabalhadores, por iniciativa de Luiz Gushiken, ent\u00e3o presidente do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Tipo incomum, ascendera \u00e0 lideran\u00e7a sindical convocando greves a bordo de terno e gravata. Trocou a milit\u00e2ncia no comunismo trotskista pela composi\u00e7\u00e3o com Lula, l\u00edder dos metal\u00fargicos, a partir de uma conversa de botequim. Ajudou a escrever o primeiro estatuto, presidiu o PT, elegeu-se deputado federal tr\u00eas vezes e se tornou um dos mais influentes assessores de Lula.<\/p>\n<p>Foram os neg\u00f3cios nada ortodoxos entre fundos estatais e empresas privadas durante o governo Collor, em 1991, que levaram Gushiken e dois diretores do sindicato paulistano, Ricardo Berzoini e S\u00e9rgio Rosa, a abrir o debate dentro do PT sobre o potencial pol\u00edtico dos fundos de pens\u00e3o \u2014 at\u00e9 ent\u00e3o percebidos como meros instrumentos governamentais de coopta\u00e7\u00e3o de sindicalistas.<\/p>\n<p>No ano seguinte, a c\u00fapula pol\u00edtico-sindical do PT elegeu banc\u00e1rios para diretorias da Previ e da Funcef, derrotando a velha guarda da Confedera\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores nas Empresas de Cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>O grupo avan\u00e7ou com a elei\u00e7\u00e3o de Berzoini \u00e0 presid\u00eancia do sindicato paulistano, com S\u00e9rgio Rosa e Jo\u00e3o Vaccari Neto na diretoria. Meses depois, esse trio teve a ideia de entrar no ramo imobili\u00e1rio com apoio financeiro dos fundos de previd\u00eancia: nascia a Bancoop, cooperativa habitacional, hoje alvo de m\u00faltiplos processos por suposto desvio de dinheiro para campanhas do PT e calote em mais de dois mil clientes.<\/p>\n<p>Gushiken decidiu n\u00e3o disputar o quarto mandato de deputado federal pelo PT, em 1998. Berzoini ficou com a vaga. Elegeu-se, mas fez quest\u00e3o de continuar na dire\u00e7\u00e3o da Bancoop at\u00e9 a campanha presidencial de Lula, em 2002.<\/p>\n<p>Na sede da CUT, Gushiken instalou um curso para forma\u00e7\u00e3o de sindicalistas em Previd\u00eancia Complementar. Sinalizava o rumo nas apostilas: \u201cNo Brasil, o fundo de pens\u00e3o como fonte de poder ou como potente agente de negocia\u00e7\u00e3o nunca foi objeto de discuss\u00e3o nos sindicatos (&#8230;) Existe a possibilidade, n\u00e3o remota, de que este monumental volume de recursos, oriundos do sacrif\u00edcio de milh\u00f5es de trabalhadores, venha a se transformar num gigantesco pesadelo para estes mesmos trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>O grupo testou o potencial de um fundo estatal na campanha presidencial de 2002. S\u00e9rgio Rosa estava na diretoria de Participa\u00e7\u00f5es da Previ, onde decidem-se os investimentos. Numa quinta-feira, 9 de maio, ele despachou cartas a uma centena de conselheiros do fundo em empresas privadas. Pediu informa\u00e7\u00f5es sobre como a disputa pol\u00edtica \u201cest\u00e1 sendo abordada na empresa em que nos representa\u201d e \u201cqual o posicionamento\u201d das companhias privadas quanto \u00e0 \u201cparticipa\u00e7\u00e3o efetiva no processo\u201d.<\/p>\n<p>Naquele ano eleitoral, as aplica\u00e7\u00f5es da Previ no mercado de a\u00e7\u00f5es foram quadruplicadas. Advers\u00e1rios sindicais, como Magno de Mello e Valmir Camilo, relacionaram as aplica\u00e7\u00f5es da Previ com doa\u00e7\u00f5es de empresas privadas para Lula e 254 candidatos do PT em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Eleito, Lula deu \u00e0 burocracia sindical 11 dos 33 minist\u00e9rios e partilhou diretorias na Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Correios com PMDB e PTB, entre outros integrantes da \u201cmaior base parlamentar do Ocidente\u201d, como definia o ministro da Casa Civil, Jos\u00e9 Dirceu.<\/p>\n<p>Gushiken ficou com a Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o; Berzoini foi para o Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia; e Vaccari assumiu o sindicato em S\u00e3o Paulo. Eles definiram com Lula o comando dos maiores fundos de pens\u00e3o estatais a partir do n\u00facleo do sindicalismo banc\u00e1rio. Assim, S\u00e9rgio Rosa ganhou a presid\u00eancia da Previ, Wagner Pinheiro ficou com a Petros e Guilherme Lacerda foi para a Funcef. Ao PMDB reservaram o menor, Postalis.<\/p>\n<p>Na Previd\u00eancia, Berzoini fechou o circuito com a nomea\u00e7\u00e3o de um ex-conselheiro fiscal da Bancoop, Carlos Gabas, para a secretaria-executiva do minist\u00e9rio, que controla o \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o dos fundos de pens\u00e3o, a Previc. Passaram os anos seguintes testando na pr\u00e1tica o projeto que haviam imaginado na d\u00e9cada de 80. Os bons companheiros estavam no poder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Extra 22\/02\/2016 RIO \u2014 O ver\u00e3o de 2008 \u00e9 inesquec\u00edvel para Pedro C\u00e9lio Arantes. 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