{"id":4936,"date":"2015-08-10T01:45:02","date_gmt":"2015-08-10T01:45:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/v2\/index.php\/as-transacoes-suspeitas-entre-os-correios-e-seu-fundo-de-pensao-o-postalis\/"},"modified":"2015-08-10T01:45:02","modified_gmt":"2015-08-10T01:45:02","slug":"as-transacoes-suspeitas-entre-os-correios-e-seu-fundo-de-pensao-o-postalis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/as-transacoes-suspeitas-entre-os-correios-e-seu-fundo-de-pensao-o-postalis\/","title":{"rendered":"As transa\u00e7\u00f5es suspeitas entre os Correios e seu fundo de pens\u00e3o, o Postalis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&Eacute;poca<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">14\/11\/2014<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">A Nova Zel&acirc;ndia, a 12.000 quil&ocirc;metros do Brasil, &eacute; um dos pa&iacute;ses mais transparentes do mundo, um exemplo de excel&ecirc;ncia em servi&ccedil;os p&uacute;blicos e presta&ccedil;&atilde;o de contas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. De Wellington, capital do pa&iacute;s, saiu um empreendimento comercial obscuro, que desafia o entendimento no Brasil. No dia 10 de janeiro de 2012, uma empresa de fachada chamada Latam Real Estate New Zealand foi aberta em Wellington, fixada por seus criadores no mesmo pr&eacute;dio ocupado pela Embaixada do Brasil na Nova Zel&acirc;ndia. No dia 5 de mar&ccedil;o, com menos de dois meses de vida, a Latam abriu em S&atilde;o Paulo uma filial e, 15 dias depois, comprou um terreno de 220.000 metros quadrados em Cajamar, a 45 quil&ocirc;metros de S&atilde;o Paulo. Em 25 de maio, vendeu o im&oacute;vel ao Postalis, o fundo de pens&atilde;o dos funcion&aacute;rios dos <strong>Correios<\/strong>, por R$ 194 milh&otilde;es. A Latam atravessou o mundo para dar uma &aacute;gil jogada imobili&aacute;ria no Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">O Postalis, um dos maiores fundos pens&atilde;o do pa&iacute;s, aplica recursos para bancar as aposentadorias de funcion&aacute;rios dos Correios. Seu hist&oacute;rico n&atilde;o &eacute; dos melhores. No ano passado, apresentou um rombo de quase R$ 1 bilh&atilde;o nas economias dos carteiros, resultado de investimentos furados e sob investiga&ccedil;&atilde;o em institui&ccedil;&otilde;es financeiras que foram &agrave; lona, como os bancos BVA, Cruzeiro do Sul e Obo&eacute;, e at&eacute; em t&iacute;tulos da d&iacute;vida argentina. Quem decidia suas aplica&ccedil;&otilde;es eram diretores indicados pelo PMDB. Sob o comando de um presidente petista desde 2012, o Postalis continua fazendo neg&oacute;cios obscuros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">No in&iacute;cio de 2012, o Postalis aceitou dar uma for&ccedil;a aos Correios. A estatal precisava comprar o terreno em Cajamar para fazer seu novo centro de log&iacute;stica, mas seu caixa n&atilde;o comportava a aventura. Na ocasi&atilde;o, o ent&atilde;o deputado federal, hoje mensaleiro preso, Jo&atilde;o Paulo Cunha (PT-SP) conversou com o presidente do Postalis, o sindicalista petista Ant&ocirc;nio Carlos Conquista. Jo&atilde;o Paulo foi &agrave; sede do Postalis em Bras&iacute;lia tratar do neg&oacute;cio. Conquista tamb&eacute;m foi procurado por um empres&aacute;rio chamado Jo&atilde;o Camargo, com neg&oacute;cios em r&aacute;dios e empreendimentos imobili&aacute;rios. O Postalis topou comprar o im&oacute;vel e alug&aacute;-lo aos Correios durante dez anos, por R$ 210 milh&otilde;es &ndash; e se deu mal. O local, que deveria estar pronto no ano passado, s&oacute; dever&aacute; come&ccedil;ar a funcionar em 2015. At&eacute; l&aacute;, o Postalis n&atilde;o receber&aacute; um real.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">No in&iacute;cio, o Postalis negociava a compra de um terreno de propriedade do empres&aacute;rio Luiz Fernando Pires, propriet&aacute;rio da Piazzano Empreendimentos. A &aacute;rea, com galp&otilde;es j&aacute; constru&iacute;dos, sairia por R$ 193 milh&otilde;es. No meio do caminho apareceu a neozelandesa Latam e fez Pires mudar de ideia. Ele vendeu a &aacute;rea &agrave; Latam, com os galp&otilde;es constru&iacute;dos, por R$ 150 milh&otilde;es &ndash; menos que o Postalis havia se disposto a pagar. Pires afirma que o neg&oacute;cio direto com o Postalis, que seria mais lucrativo, &ldquo;n&atilde;o prosperou&rdquo;. Menos de tr&ecirc;s meses depois, a Latam fez um neg&oacute;cio da China, ou melhor, da Nova Zel&acirc;ndia. Vendeu o terreno ao Postalis por R$ 194 milh&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Formalmente, Jo&atilde;o Camargo n&atilde;o est&aacute; vinculado &agrave; Latam Brasil. Na Junta Comercial de S&atilde;o Paulo aparecem como s&oacute;cios a Latam Real Estate New Zealand, com 99,99% das a&ccedil;&otilde;es, e Marcelo Bicudo, com 0,01%, advogado de Camargo e especialista em criar e representar empresas estrangeiras interessadas em investir no Brasil. Os donos da empresa que fez neg&oacute;cios com o Postalis s&atilde;o brasileiros? &ldquo;Alguns sim, outros n&atilde;o. S&atilde;o e n&atilde;o s&atilde;o. Veja bem, tudo o que posso falar, falo porque n&atilde;o h&aacute; nada a esconder&rdquo;, diz Bicudo. &ldquo;Agora, os donos desta empresa n&atilde;o querem que o p&uacute;blico saiba quem eles s&atilde;o. As autoridades sabem, n&atilde;o h&aacute; nada de oculto.&rdquo; Por meio de sua assessoria de imprensa, Pires disse que n&atilde;o responderia a &ldquo;perguntas especulativas&rdquo; sobre o neg&oacute;cio em que est&aacute; envolvido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio ir &agrave; Nova Zel&acirc;ndia para fazer bons neg&oacute;cios imobili&aacute;rios com os Correios ou com o Postalis. No final de 2012, os Correios compraram por R$ 123 milh&otilde;es um terreno de 73.000 metros quadrados para erguer seu futuro Centro de Cartas e Encomendas de Bras&iacute;lia. O dono da &aacute;rea, o governo do Distrito Federal, recebeu o pagamento &agrave; vista. Passados quase dois anos da compra, o mato cresce no local, junto com entulho de obras vizinhas. O terreno n&atilde;o conta sequer com uma placa de identifica&ccedil;&atilde;o. Os Correios dizem esperar um projeto executivo da obra para realizar a licita&ccedil;&atilde;o que levantar&aacute; os pr&eacute;dios. A raz&atilde;o &eacute; outra: pelas normas urban&iacute;sticas, a &aacute;rea comprada pelos Correios n&atilde;o pode abrigar empreendimentos comerciais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Documentos obtidos por &Eacute;POCA (acima) mostram que os Correios sabiam disso antes da compra. No dia 7 de dezembro, dois advogados da estatal registraram que a diretoria deveria avaliar o risco do investimento, pois &agrave;quela altura o terreno n&atilde;o poderia abrigar as atividades pretendidas pela empresa. Os advogados alertaram tamb&eacute;m que a avalia&ccedil;&atilde;o do terreno feita pelos Correios apontava para o valor de R$ 104 milh&otilde;es, quase R$ 20 milh&otilde;es a menos que os Correios pagaram. Tr&ecirc;s dias depois, em 10 de dezembro, a diretoria executiva dos Correios ratificou a compra. &ldquo;At&eacute; acontece. Mas &eacute; raro a diretoria n&atilde;o levar em conta uma opini&atilde;o do departamento jur&iacute;dico&rdquo;, diz o ex-chefe do departamento e um dos autores do parecer, Roger dos Santos. Os R$ 123 milh&otilde;es foram parar nos cofres da Terracap, empresa do governo de Bras&iacute;lia que cuida dos terrenos p&uacute;blicos da capital. Naquele momento, a Terracap estava com dificuldades de caixa, em virtude da constru&ccedil;&atilde;o do est&aacute;dio Man&eacute; Garrincha, para a Copa do Mundo.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Apavorada com a demora na aprova&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a da destina&ccedil;&atilde;o do terreno, a diretoria dos Correios, comandada pelo PT, pressionou o governo do Distrito Federal, tamb&eacute;m petista, para mudar a lei e permitir a constru&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea. O al&iacute;vio chegou em setembro de 2013, mas durou pouco. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Distrito Federal contestou as decis&otilde;es do governo do Distrito Federal, e os Correios poder&atilde;o ser impedidos de construir na &aacute;rea comprada. O assunto &eacute; discutido por um &oacute;rg&atilde;o que regula o uso dos terrenos de Bras&iacute;lia, uma cidade tombada pela Unesco. N&atilde;o h&aacute; previs&atilde;o sobre quando a discuss&atilde;o sobre o uso do local terminar&aacute;. Durante uma reuni&atilde;o que discutia o assunto, o representante da Associa&ccedil;&atilde;o de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobili&aacute;rio do DF, Paulo Muniz, disse que os Correios &ldquo;compraram gato por lebre&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Os Correios afirmam, por meio de sua assessoria, que a compra do terreno em Bras&iacute;lia foi regular. Sobre a decis&atilde;o de comprar o im&oacute;vel em Bras&iacute;lia, dizem que &ldquo;o parecer jur&iacute;dico&rdquo; &eacute; &ldquo;opinativo e, portanto, n&atilde;o &eacute; uma decis&atilde;o&rdquo;. A nota tamb&eacute;m afirma que os Correios n&atilde;o sofreram preju&iacute;zos em raz&atilde;o de os centros de Bras&iacute;lia e Cajamar ainda n&atilde;o estarem em funcionamento. &ldquo;Est&aacute; tudo dentro do cronograma de investimentos&rdquo;, diz a nota. Por meio da assessoria de imprensa, o presidente do Postalis, Conquista, afirma que a opera&ccedil;&atilde;o de Cajamar foi aprovada com base em estudos t&eacute;cnicos. Diz que as conversas mantidas com Jo&atilde;o Paulo e Camargo n&atilde;o tiveram rela&ccedil;&atilde;o com o im&oacute;vel de Cajamar. Disse, ainda, que o fato de o Postalis n&atilde;o receber o aluguel do im&oacute;vel n&atilde;o deve ser associado a preju&iacute;zo, pois se trata de um investimento de longo prazo. O ex-deputado Jo&atilde;o Paulo cumpre pena em Bras&iacute;lia, condenado pelo envolvimento no mensal&atilde;o. Por meio de seu advogado, ele informou que n&atilde;o se pronunciaria sobre o assunto. Camargo n&atilde;o atendeu aos pedidos de entrevista da reportagem de &Eacute;POCA. Vender terrenos para os Correios ou para o Postalis pode ser um bom neg&oacute;cio. Basta ter as conex&otilde;es corretas no Brasil e na Nova Zel&acirc;ndia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"> <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tempo\/noticia\/2014\/11\/btransacoes-suspeitas-entre-os-correiosb-e-seu-fundo-de-pensao-o-postalis.html\">http:\/\/epoca.globo.com\/tempo\/noticia\/2014\/11\/btransacoes-suspeitas-entre-os-correiosb-e-seu-fundo-de-pensao-o-postalis.html<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute;poca 14\/11\/2014 &nbsp; A Nova Zel&acirc;ndia, a 12.000 quil&ocirc;metros do Brasil, &eacute; um dos pa&iacute;ses mais transparentes do mundo, um exemplo de excel&ecirc;ncia em servi&ccedil;os p&uacute;blicos e presta&ccedil;&atilde;o de contas&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4936"}],"collection":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4936\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}