{"id":4900,"date":"2015-08-10T01:44:48","date_gmt":"2015-08-10T01:44:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/v2\/index.php\/o-dinheiro-sumiu-no-ar\/"},"modified":"2015-08-10T01:44:48","modified_gmt":"2015-08-10T01:44:48","slug":"o-dinheiro-sumiu-no-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/o-dinheiro-sumiu-no-ar\/","title":{"rendered":"O dinheiro sumiu no ar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Revista Veja<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">31\/08\/2014<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Inqu&eacute;rito da pol&iacute;cia sobre os descalabros do grupo Galileo mostra que milh&otilde;es de reais alocados para tirar duas universidades do buraco desapareceram sem deixar rastro<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">A decis&atilde;o in&eacute;dita do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o de descredenciar e fechar a Universidade Gama Filho (UGF) e a UniverCidade, no Rio de Janeiro, deixando 18 000 alunos sem escola no ano passado, trouxe &agrave; luz os problemas financeiros em que as duas institui&ccedil;&otilde;es estavam mergulhadas. Agora, uma investiga&ccedil;&atilde;o policial escancara os detalhes do rombo e do enredo escandaloso que o precede: pelas quantias envolvidas, &eacute; um dos maiores descalabros j&aacute; ocorridos na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o. O empurr&atilde;o final para o abismo foi dado justamente pela empresa criada com a apregoada inten&ccedil;&atilde;o de recuperar as duas universidades &mdash; o grupo Galileo, que as encampou em 2010. Como se tratava de entidades filantr&oacute;picas, a transfer&ecirc;ncia de responsabilidade dos antigos donos para o Galileo n&atilde;o envolveu compensa&ccedil;&otilde;es financeiras. Em menos de tr&ecirc;s anos, por&eacute;m, a m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o do fundador e controlador do grupo, o advogado M&aacute;rcio Andr&eacute; Costa, foi capaz de pulverizar 100 milh&otilde;es de reais obtidos com uma emiss&atilde;o de deb&ecirc;ntures destinada a sanear as finan&ccedil;as das duas institui&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Um inqu&eacute;rito da Pol&iacute;cia Federal, ao qual VEJA teve acesso, concluiu que a maior parte da dinheirama sumiu no ar, e a parte que n&atilde;o sumiu foi parar onde n&atilde;o devia. Pior: o grosso do preju&iacute;zo caiu na conta do fundo de pens&atilde;o dos Correios, o Postalis (o maior do pa&iacute;s cm n&uacute;mero de contribuintes), que adquiriu quase todo o lote de deb&ecirc;ntures &mdash; tamb&eacute;m irregularmente, segundo a PF. Na periferia de todo esse imbr&oacute;glio, a pol&iacute;cia constatou at&eacute; a presen&ccedil;a de um homem de confian&ccedil;a do senador Renan Calheiros. Encaminhado ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico, o inqu&eacute;rito chegou no &uacute;ltimo dia 15 &agrave;s m&atilde;os da Justi&ccedil;a, com pedido de indiciamento dos envolvidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&Agrave; primeira vista, o investimento do <strong>Postalis<\/strong> (e dos outros dois compradores, o Petros, fundo de pens&atilde;o da Petrobras, e um banco) tinha a fachada de um bom neg&oacute;cio. O rendimento das deb&ecirc;ntures viria das mensalidades pagas pelos 400 alunos do curso de medicina da Gama Filho, o ponto forte da universidade. Os 100 milh&otilde;es poderiam de fato impulsionar a recupera&ccedil;&atilde;o financeira da institui&ccedil;&atilde;o, &agrave;quela altura com uma d&iacute;vida de 200 milh&otilde;es de reais. &Eacute; verdade que, em poucos meses, os recursos arrecadados com as deb&ecirc;ntures se transformaram em &#8220;um gr&atilde;o de areia diante do tamanho do rombo, logo catapultado a 900 milh&otilde;es, mas ainda poderiam ter apagado alguns inc&ecirc;ndios, como os sal&aacute;rios atrasados dos professores. N&atilde;o apagaram. A PF apurou que cerca de 20 milh&otilde;es foram para a &#8220;fam&iacute;lia Gama Filho&#8221;, antiga dona da universidade, a t&iacute;tulo de autoriza&ccedil;&atilde;o para uso da &#8220;marca&#8221; da universidade &mdash; conceito que n&atilde;o se aplica a uma institui&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos, como era o caso da UGF. Quanto aos outros 80 milh&otilde;es, diz o relat&oacute;rio da pol&iacute;cia, ningu&eacute;m sabe, ningu&eacute;m viu: n&atilde;o existe nenhum registro cont&aacute;bil de seu uso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">De acordo com a investiga&ccedil;&atilde;o, o Postalis tamb&eacute;m cometeu uma irregularidade ao arrebanhar 75% das deb&ecirc;ntures, o triplo do que podia &mdash; por ordem do Conselho Monet&aacute;rio Nacional, o limite de investimento dos fundos de pens&atilde;o nesses casos &eacute; de 25%. A PF apurou que a aprova&ccedil;&atilde;o envolveu a alta c&uacute;pula do fundo, inclusive o presidente na &eacute;poca, Alexej Predtechensky, e o diretor financeiro, Adilson da Costa. Ambos foram autuados pelos &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos fundos e tiveram de pagar uma multa por aplicar recursos do <strong>Postalis<\/strong> em desacordo com as diretrizes do CMN. Adilson da Costa nem deve ter sentido muito no bolso o pre&ccedil;o da autua&ccedil;&atilde;o: saiu do Postalis em fevereiro do ano passado e, cm junho, surgia como conselheiro no Galileo. Em um desdobramento que n&atilde;o est&aacute; no inqu&eacute;rito, mas pode ser comprovado nas atas do conselho, outro protagonista desse enredo foi absorvido pelo generoso grupo Galileo. Trata-se de Milton Lyra, lobista de Bras&iacute;lia ligado ao grupo do senador Renan Calheiros (sob cuja &oacute;rbita de influ&ecirc;ncia estava a dire&ccedil;&atilde;o do fundo de pens&atilde;o na ocasi&atilde;o do lan&ccedil;amento das deb&ecirc;ntures) e intermedi&aacute;rio do neg&oacute;cio. No fim de 2011, meses depois da transa&ccedil;&atilde;o, o nome de Lyra apareceu na lista de presen&ccedil;as de uma reuni&atilde;o de acionistas do Galileo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Quase todos os envolvidos nos enrolados neg&oacute;cios do grupo Galileo &agrave; &eacute;poca da incorpora&ccedil;&atilde;o da Gama Filho e da UniverCidade est&atilde;o, hoje em dia, atuando em outras &aacute;reas. A dire&ccedil;&atilde;o do Postalis foi trocada. M&aacute;rcio Andr&eacute; Costa deixou o ramo da educa&ccedil;&atilde;o e voltou para a advocacia. Antes de faz&ecirc;-lo, repassou o Galileo ao pastor batista Adenor Gon&ccedil;alves dos Santos, que n&atilde;o tinha nenhuma experi&ecirc;ncia na &aacute;rea; desde o descredenciamento das duas universidades, Santos comanda um grupo que n&atilde;o agrupa nada. A diretoria pediu demiss&atilde;o em fevereiro passado, um ano depois do ato do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. O pastor continua firme no comando do grupo esvaziado &mdash; seu &uacute;ltimo ato foi entrar na Justi&ccedil;a com pedido de devolu&ccedil;&atilde;o do pouco que chegou a ser pago em rendimentos das c&eacute;lebres deb&ecirc;ntures. Os alunos da Gama Filho e da UniverCidade, depois do susto, da incerteza e do tumulto que se seguiram ao fechamento das duas institui&ccedil;&otilde;es, tiveram a matricula remanejada e hoje seguem seus cursos em outras universidades do Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Festival de coincid&ecirc;ncias<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Na grande f&aacute;brica de perder dinheiro em que se transformou o grupo Galileo, um dos poucos a sair ganhando parece ser Paulo Gama Filho. Al&eacute;m de ter levado parte do dinheiro das deb&ecirc;ntures, conforme constatou a pol&iacute;cia, ele circula nas sombras de outro neg&oacute;cio tortuoso; a venda, em 2012, de um pr&eacute;dio de sua ent&atilde;o universidade, no Rio de Janeiro. Oficialmente, o im&oacute;vel, no centro da cidade, pertencia &agrave; Concintra, empresa com sede na Ilha Funchal, em Portugal, que o alugava por 350 000 reais mensais &agrave; Gama Filho. Algumas coincid&ecirc;ncias, por&eacute;m, levantam a suspeita de que o verdadeiro dono era o pr&oacute;prio Paulo Gama &ndash; que assim estaria ganhando dinheiro com a universidade, uma entidade filantr&oacute;pica. Gama j&aacute; tinha feito neg&oacute;cio com a Concintra; em 1997, vendeu a ela um apartamento na Fl&oacute;rida, como mostra um registro em cart&oacute;rio local. Tanto nessa transa&ccedil;&atilde;o quanto na do pr&eacute;dio no Rio, em algum momento assina em nome da Concintra o advogado Luis Monteiro da Silva, que vem a ser procurador h&aacute; d&eacute;cadas da fam&iacute;lia Gama Filho. Ronald Levinsohn, ex-dono da UniverCidade que se considera prejudicado pelo grupo Galileo e por Gama, dispara: &#8220;Contratei uma ag&ecirc;ncia de detetives que apontou Paulo Gama como dono da Concintra. Era ele que embolsava o aluguel&#8221;. Monteiro, o advogado, nega que Paulo seja o dono do im&oacute;vel. Sobre sua participa&ccedil;&atilde;o nas transa&ccedil;&otilde;es, diz: &#8220;Sou procurador de outras pessoas e empresas&#8221;. 0s 35 milh&otilde;es de reais da venda do pr&eacute;dio do Rio foram depositados no Banco Paulista e de l&aacute; partiram para destino n&atilde;o revelado. Levinsohn garante: &#8220;Localizei o dinheiro em dois para&iacute;sos fiscais&#8221;. Mais uma coincid&ecirc;ncia: no ano da venda do edif&iacute;cio carioca, Monteiro recebeu uma doa&ccedil;&atilde;o de 1 milh&atilde;o de reais. o doador foi Paulo Gama Filho.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Veja 31\/08\/2014 &nbsp; Inqu&eacute;rito da pol&iacute;cia sobre os descalabros do grupo Galileo mostra que milh&otilde;es de reais alocados para tirar duas universidades do buraco desapareceram sem deixar rastro &nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4900"}],"collection":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4900"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4900\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}