{"id":4777,"date":"2015-08-10T01:44:00","date_gmt":"2015-08-10T01:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/v2\/index.php\/fundos-no-vermelho\/"},"modified":"2015-08-10T01:44:00","modified_gmt":"2015-08-10T01:44:00","slug":"fundos-no-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/fundos-no-vermelho\/","title":{"rendered":"Fundos no vermelho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Opini&atilde;o &#8211; Estad&atilde;o<br \/><\/span><span style=\"font-size: small;\">13 de maio de 2014<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Uma perversa combina&ccedil;&atilde;o de fatores conjunturais adversos e aplica&ccedil;&otilde;es financeiras temer&aacute;rias levaram os fundos de pens&atilde;o a um d&eacute;ficit sem precedentes da ordem de R$ 22 bilh&otilde;es. J&aacute; o governo, fiel aos seus h&aacute;bitos e pronto a reincidir em erros gritantes, deu de manipular regras que governam o setor, tamb&eacute;m contaminado, de resto, por manobras de contabilidade criativa &#8211; a m&aacute;gica que transforma preju&iacute;zos reais em lucros cenogr&aacute;ficos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Os 256 fundos de previd&ecirc;ncia fechada em opera&ccedil;&atilde;o no Pa&iacute;s abrangem 6,5 milh&otilde;es de pessoas, entre participantes que contribuem mensalmente para formar um pec&uacute;lio, assistidos e dependentes. T&ecirc;m essa denomina&ccedil;&atilde;o porque a sua clientela se comp&otilde;e exclusivamente de funcion&aacute;rios de empresas e membros de associa&ccedil;&otilde;es que oferecem essa modalidade de aposentadoria complementar &agrave; do INSS. Administram em conjunto um patrim&ocirc;nio na casa de R$ 624 bilh&otilde;es, ou 14,7% do PIB nacional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Desses ativos, 65% est&atilde;o em m&atilde;os de entidades patrocinadas por empresas p&uacute;blicas, a come&ccedil;ar do Previ (dos empregados do Banco do Brasil), Petros (Petrobr&aacute;s) e Funcef (Caixa Econ&ocirc;mica Federal). Os fundos das estatais, at&eacute; por seu porte, respondem pelo grosso do citado d&eacute;ficit, que fez do ano passado o pior da hist&oacute;ria do setor, incluindo 2009, sob o impacto da crise internacional provocada pelo colapso de Wall Street, em fins do ano anterior. Para recorrer a um termo um tanto em desuso, &eacute; o caso de dizer que a situa&ccedil;&atilde;o dos fundos &eacute; periclitante. Ainda em 2012, o teto da sua meta de rentabilidade j&aacute; tinha sido rebaixado de 6% para 4,5%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Fontes da Superintend&ecirc;ncia Nacional de Previd&ecirc;ncia Complementar culpam pela explos&atilde;o do d&eacute;ficit, em primeiro lugar, a desvaloriza&ccedil;&atilde;o das aplica&ccedil;&otilde;es em t&iacute;tulos prefixados. As expectativas para este ano s&atilde;o pessimistas &#8211; al&eacute;m da perman&ecirc;ncia dos fatores que derrubaram os fundos em 2013, a infla&ccedil;&atilde;o, o desempenho da Bolsa, as incertezas diante da Copa, das elei&ccedil;&otilde;es e do fim de um per&iacute;odo presidencial devem dificultar a recupera&ccedil;&atilde;o dos fundos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Mas &eacute; preciso considerar, tamb&eacute;m, os investimentos desastrosos, feitos em obedi&ecirc;ncia a instru&ccedil;&otilde;es do governo, entre eles a capitaliza&ccedil;&atilde;o das empresas &#8220;campe&atilde;s&#8221;, que deram com os burros n&#8217;&aacute;gua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Embora fundos sejam neg&oacute;cios de longu&iacute;ssimo prazo, h&aacute; quem tema, por exemplo, que o <strong>Postalis<\/strong>, dos funcion&aacute;rios dos <strong>Correios<\/strong>, leve mais de uma d&eacute;cada para zerar o preju&iacute;zo de cerca de R$ 985 milh&otilde;es em 2013. Segundo o site Contas Abertas, trata-se do maior d&eacute;ficit (13%), em rela&ccedil;&atilde;o ao patrim&ocirc;nio, entre as grandes funda&ccedil;&otilde;es. O Postalis tem o maior n&uacute;mero de investidores do Pa&iacute;s. A institui&ccedil;&atilde;o atribui parte do d&eacute;ficit (R$ 287 milh&otilde;es) a discut&iacute;veis &#8220;ajustes t&eacute;cnicos&#8221;, derivados do aumento da expectativa de vida de seus membros e da diminui&ccedil;&atilde;o do ingresso de novos participantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Mas as perdas restantes de R$ 698 milh&otilde;es resultaram de aplica&ccedil;&otilde;es malfeitas. O valor nem inclui o sumi&ccedil;o de mais da metade dos R$ 130 milh&otilde;es investidos em a&ccedil;&otilde;es do Grupo EBX, de Eike Batista. O ent&atilde;o diretor financeiro do Postalis, Ricardo Oliveira Azevedo, foi demitido. &Eacute; de perguntar como devem ser tratados os respons&aacute;veis, no Petros, por transformar uma perda de R$ 51 milh&otilde;es em um ganho de R$ 824 milh&otilde;es. Assim como o Funcef, da Caixa, o Petros det&eacute;m 10% do capital da Usina de Belo Monte. S&oacute; que o Funcef resolveu calcular a sua parte pelo valor de mercado, enquanto o Petros o fez pelo que poder&aacute; valer quando a usina estiver funcionando.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Trata-se de uma resposta marota ao ato do conselho fiscal que reprovou as contas segundo as quais a funda&ccedil;&atilde;o fechou 2013 com d&eacute;ficit de R$ 2,8 bilh&otilde;es. A criatividade amenizou o mau desempenho. Outro problema &eacute; que, pelas regras do sistema, um fundo com d&eacute;ficit de 10% sobre o patrim&ocirc;nio em dado exerc&iacute;cio ter&aacute; de apresentar, j&aacute; no seguinte, um plano para sair da enrascada. O governo decidiu que, para esse fim, o d&eacute;ficit poder&aacute; superar 15% em 2013. Recusou-se a englobar 2015 para n&atilde;o deixar a impress&atilde;o de que duvida da recupera&ccedil;&atilde;o da economia at&eacute; l&aacute; a ponto de o setor sair do vermelho.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini&atilde;o &#8211; Estad&atilde;o13 de maio de 2014 &nbsp; Uma perversa combina&ccedil;&atilde;o de fatores conjunturais adversos e aplica&ccedil;&otilde;es financeiras temer&aacute;rias levaram os fundos de pens&atilde;o a um d&eacute;ficit sem precedentes da&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4777"}],"collection":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4777"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4777\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}