{"id":4770,"date":"2015-08-10T01:44:00","date_gmt":"2015-08-10T01:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/v2\/index.php\/as-evidencias-de-fraude-no-fundo-dos-correios-ligado-ao-pmdb\/"},"modified":"2015-08-10T01:44:00","modified_gmt":"2015-08-10T01:44:00","slug":"as-evidencias-de-fraude-no-fundo-dos-correios-ligado-ao-pmdb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/as-evidencias-de-fraude-no-fundo-dos-correios-ligado-ao-pmdb\/","title":{"rendered":"As evid\u00eancias de fraude no fundo dos Correios ligado ao PMDB"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">GLOBO<br \/><\/span><span style=\"font-size: small;\">16\/05\/2014<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">No final do governo Lula, um jovem e brilhante operador do mercado financeiro ascendia no rarefeito mundo da elite pol&iacute;tica de Bras&iacute;lia. Era Fabrizio Neves, dono da Atl&acirc;ntica Asset, empresa que montara fundos no mercado financiados sobretudo pelo Postalis, fundo de pens&atilde;o dos <strong>Correios<\/strong>. O Postalis era comandado por afilhados do ministro de Minas e Energia, Edison Lob&atilde;o, e do senador Renan Calheiros, ambos do PMDB. Fabrizio dava festas e promovia jantares em Bras&iacute;lia e S&atilde;o Paulo. Num deles, contratou o cantor Em&iacute;lio Santiago e um dos pianistas que tocavam com Roberto Carlos. Colecionador de armas, dono de bom papo, Fabrizio fez amizades com pol&iacute;ticos, diretores do Postalis e lobistas &ndash; a maioria deles ligada ao PMDB. Segundo seis desses altos quadros do PMDB, Fabrizio participava tamb&eacute;m das reuni&otilde;es em que se discutia o financiamento das campanhas em 2010. Com pouco tempo de Bras&iacute;lia, Fabrizio j&aacute; se tornara um homem poderoso na capital.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Sobre Fabrizio, sabia-se apenas que ele morara em Miami, onde fizera fortuna no mercado financeiro. No Brasil, ele estava em alta; nos Estados Unidos, era ca&ccedil;ado por credores e pelos investigadores da Securities and Exchange Comission, a SEC, &oacute;rg&atilde;o que regula o mercado financeiro americano. Acusavam-no de ser o arquiteto de uma fraude que envolvia o dinheiro arrecadado no Postalis. A ca&ccedil;ada judicial terminou recentemente nos Estados Unidos, e suas consequ&ecirc;ncias ainda n&atilde;o se fizeram sentir no Brasil. A ascens&atilde;o de Fabrizio por l&aacute; se deu com dinheiro daqui &ndash; dinheiro dos carteiros e funcion&aacute;rios dos Correios, que financiam suas aposentadorias contribuindo para o Postalis. A queda de Fabrizio terminou por l&aacute;. Mas ainda promete come&ccedil;ar por aqui. E isso aterroriza o PMDB.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">A hist&oacute;ria de Fabrizio, contada em documentos confidenciais obtidos por &Eacute;POCA nos Estados Unidos e no Brasil, ilustra &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o o efeito devastador da influ&ecirc;ncia da pol&iacute;tica nos fundos de pens&atilde;o das estatais. &Eacute; um problema antigo, que resulta em corrup&ccedil;&atilde;o e preju&iacute;zos aos fundos. Ele atingiu novo patamar no governo do ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, com a ascens&atilde;o de sindicalistas ligados ao PT &agrave; dire&ccedil;&atilde;o de fundos como Previ, do Banco do Brasil, ou Petros, da Petrobras. O caso do Postalis, maior fundo do Brasil em n&uacute;mero de participantes (110 mil), &eacute; especial. Foi o &uacute;nico fundo de grande porte aparelhado, no governo Lula, pelo PMDB. Por indica&ccedil;&atilde;o de Lob&atilde;o, o engenheiro Alexej Predtechensky, conhecido como Russo, assumiu a presid&ecirc;ncia do Postalis em 2006. Com o apoio de Lob&atilde;o e Renan, o administrador Ad&iacute;lson Costa assumiu o segundo cargo mais importante do Postalis: a diretoria financeira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Amigo de Lob&atilde;o, Russo tinha no curr&iacute;culo a quebra da construtora Encol, nos anos 1990. Quando diretor da Encol, fora acusado de irregularidades na gest&atilde;o. Fora tamb&eacute;m s&oacute;cio de M&aacute;rcio Lob&atilde;o, filho de Edison Lob&atilde;o, numa concession&aacute;ria que vendia BMWs. No Postalis, sua gest&atilde;o resultou em p&eacute;ssimos n&uacute;meros. Dono de um patrim&ocirc;nio de R$ 7 bilh&otilde;es, o Postalis vem acumulando perdas significativas. Entre 2011 e 2012, o deficit chegou a R$ 985 milh&otilde;es. No ano passado, o fundo somou R$ 936 milh&otilde;es negativos e, em 2014, as contas no vermelho j&aacute; somam mais de R$ 500 milh&otilde;es, com uma proje&ccedil;&atilde;o para encerrar o ano acima de R$ 1 bilh&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">A situa&ccedil;&atilde;o do Postalis &eacute; t&atilde;o grave que a Superintend&ecirc;ncia Nacional de Previd&ecirc;ncia Complementar, a Previc, respons&aacute;vel por fiscalizar os fundos de pens&atilde;o, avalia uma interven&ccedil;&atilde;o no fundo. Os auditores da Previc est&atilde;o cansados de notificar e autuar os diretores por irregularidades. Houve, ao menos, 14 autua&ccedil;&otilde;es nos &uacute;ltimos anos, a que &Eacute;POCA teve acesso. Os mandatos de Russo e Ad&iacute;lson se encerraram em 2012. Foram substitu&iacute;dos por novos apadrinhados de Lob&atilde;o e Renan. A presid&ecirc;ncia ficou com o PT, que indicou Ant&ocirc;nio Carlos Conquista &ndash; autuado pela Previc por irregularidades na gest&atilde;o de outro fundo. PT e PMDB disputam agora as decis&otilde;es pelos investimentos do Postalis. A ordem pol&iacute;tica, dizem parlamentares, lobistas e funcion&aacute;rios do Postalis, &eacute; diminuir os maus investimentos. Troc&aacute;-los por aplica&ccedil;&otilde;es conservadoras, de maneira a evitar a interven&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">A conex&atilde;o Miami<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">A ascens&atilde;o de Fabrizio &ndash; e da turma do PMDB no Postalis &ndash; come&ccedil;a em 2006. O Postalis acabara de criar, ao lado de Fabrizio, o fundo Brasil Sovereign, que deveria negociar, nos Estados Unidos, t&iacute;tulos da d&iacute;vida p&uacute;blica brasileira. &Eacute; um tipo de investimento conservador, mais seguro para quem investe nele, embora, por isso mesmo, costume render menos. Ao menos 80% do dinheiro do Brasil Sovereign deveria ser investido nesses t&iacute;tulos. N&atilde;o foi o que aconteceu. Em maio de 2006, Fabrizio, ent&atilde;o dono da Atl&acirc;ntica Asset, passou a controlar outra financeira chamada LatAm, com sede em Miami. Cabia &agrave; LatAm operar as transa&ccedil;&otilde;es com t&iacute;tulos da d&iacute;vida p&uacute;blica brasileira. Ao banco BNY Mellon, cabia administrar e fiscalizar as opera&ccedil;&otilde;es de Fabrizio. Em vez de fazer investimentos conservadores, Fabrizio, dizem a investiga&ccedil;&atilde;o da SEC e uma auditoria externa contratada pelo Postalis, fez roleta-russa com o dinheiro do Postalis. Investia em produtos financeiros complexos e arriscados, por meio de um instrumento conhecido como &ldquo;nota estruturada&rdquo;. Ao fazer as opera&ccedil;&otilde;es, segundo as investiga&ccedil;&otilde;es, desviava dinheiro para contas secretas de empresas com sede em para&iacute;sos fiscais. Por baixo, os investigadores estimam que US$ 24 milh&otilde;es foram cobrados indevidamente do Postalis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Segundo as investiga&ccedil;&otilde;es, a maioria das empresas que recebiam o dinheiro desviado era controlada por Fabrizio. Havia uma que n&atilde;o era: a conta da Spectra Trust, empresa sediada nas Ilhas Virgens Brit&acirc;nicas, um para&iacute;so fiscal. Segundo a Justi&ccedil;a americana, a conta pertencia a Predtechensky, o Russo, ent&atilde;o presidente do Postalis. Um dos dirigentes da corretora de Fabrizio, que colaborou com as investiga&ccedil;&otilde;es, disse em depoimento que ajudou a montar as contas secretas. E que Russo fora apresentado aos funcion&aacute;rios da corretora como o homem dos &ldquo;fundos de pens&atilde;o brasileiros&rdquo;. Em novembro de 2007, US$ 1,5 milh&atilde;o foi transferido &agrave; Spectra. Os investigadores ainda tentam descobrir o total depositado na conta da Spectra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Meses depois, em 11 de julho de 2008, o Postalis depositou R$ 100 milh&otilde;es na conta do fundo Brasil Sovereign. Era o sexto e &uacute;ltimo grande investimento do Postalis no fundo operado por Fabrizio. Desde que o Brasil Sovereign come&ccedil;ara, tr&ecirc;s anos antes, o Postalis transferira R$ 371 milh&otilde;es para o controle, na pr&aacute;tica, de Fabrizio. A soma dos valores era alta, mesmo para os padr&otilde;es dos fundos de pens&atilde;o das estatais. Os investimentos passavam relativamente despercebidos por causa de uma t&aacute;tica comum. Em vez de fazer grandes investimentos de uma s&oacute; vez, diretores como Russo e Ad&iacute;lson depositavam somas mais modestas, distribu&iacute;das por meses &ndash; at&eacute; anos. O expediente era poss&iacute;vel gra&ccedil;as &agrave; larga autonomia que Russo e Ad&iacute;lson detinham. Podiam autorizar, sem precisar recorrer ao Conselho do Postalis, investimentos individuais de at&eacute; R$ 120 milh&otilde;es. Para efeito de compara&ccedil;&atilde;o, diretores da Petrobras t&ecirc;m autonomia para gastar at&eacute; R$ 30 milh&otilde;es &ndash; e, mesmo assim, com mais limita&ccedil;&otilde;es. A mesma autonomia existe nos fundos de pens&atilde;o das outras estatais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Seis dias ap&oacute;s o &uacute;ltimo dep&oacute;sito de R$ 100 milh&otilde;es, a corretora de Fabrizio nos Estados Unidos pagou US$ 7 milh&otilde;es por uma nota estruturada do Lehman Brothers &ndash; banco que, tr&ecirc;s meses depois, quebrou e quase levou a economia mundial junto. Era um produto arriscado de origem que, no mercado, j&aacute; se desconfiava duvidosa (o Lehman). No mesmo dia, segundo a investiga&ccedil;&atilde;o da SEC, a corretora de Fabrizio deu in&iacute;cio a mais uma fraude, que obrigou o Postalis a pagar, pela nota estruturada, mais do que ela valia. Os documentos da SEC demonstram que a diferen&ccedil;a, ou ao menos parte substancial dela, foi desviada nas semanas seguintes para a conta da Spectra, a empresa secreta de Russo, presidente do Postalis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Nos anos seguintes, prosseguiu a pr&aacute;tica de investir nesse tipo de produto. Em 13 de outubro de 2009, Fabrizio, para aplacar outros credores, entrou com um pedido de fal&ecirc;ncia na Justi&ccedil;a americana. No Brasil, era outra hist&oacute;ria. Dez dias antes, a corretora de Fabrizio come&ccedil;ara a arrecadar mais dinheiro do Postalis, desta vez com um fundo para investir em servi&ccedil;os de sa&uacute;de. No come&ccedil;o de 2010, sua corretora recebeu R$ 2 milh&otilde;es do Postalis. Em maio, as autoridades americanas proibiram Fabrizio de continuar operando no mercado financeiro. Eram os tempos das festas em Bras&iacute;lia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Em dezembro de 2011, quando as investiga&ccedil;&otilde;es da SEC se aproximavam do fim, Fabrizio trocou cerca de US$ 130 milh&otilde;es do Brasil Sovereign por produtos financeiros arriscados, como as tais notas estruturadas. Fez isso sem consultar o Mellon e o Postalis, como mandava a lei. O Brasil Sovereign, que deveria aplicar 80% dos recursos em t&iacute;tulos da d&iacute;vida, tinha 71% do dinheiro aplicado em pap&eacute;is sem garantias de pagamento. Dificilmente o Postalis recuperar&aacute; o dinheiro. Por isso, tenta um acordo com o Mellon, que poderia, diz o Postalis, ter evitado os preju&iacute;zos. O Postalis quer que o Mellon pague, ao menos, R$ 400 milh&otilde;es. Em fevereiro deste ano, Fabrizio fez um acordo com a Justi&ccedil;a da Fl&oacute;rida e com a SEC. Aceitou pagar US$ 4,5 milh&otilde;es para n&atilde;o ir a julgamento, desde que n&atilde;o desminta publicamente os achados da investiga&ccedil;&atilde;o. Os investigadores americanos querem que ele colabore no rastro do dinheiro desviado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">O ministro Lob&atilde;o afirma, por meio de nota, que conhece Russo h&aacute; anos. Russo diz o mesmo. Mas Lob&atilde;o, ao contr&aacute;rio de Russo, acrescenta: &ldquo;A rela&ccedil;&atilde;o &eacute; de amizade&rdquo;. Lob&atilde;o, contudo, n&atilde;o admite sequer ter indicado Russo ou os atuais diretores do Postalis. &ldquo;As nomea&ccedil;&otilde;es no Postalis s&atilde;o feitas por um Conselho que atua vinculado a outro Minist&eacute;rio (o da Previd&ecirc;ncia)&rdquo;, diz. Sobre a rela&ccedil;&atilde;o com Fabrizio e a atua&ccedil;&atilde;o dele nas campanhas do PMDB em 2010, Lob&atilde;o limita-se a dizer que &ldquo;esteve com ele em eventos sociais, mas n&atilde;o em 2010&rdquo;. M&aacute;rcio Lob&atilde;o,&nbsp; ex-s&oacute;cio de Russo, diz que se mudou de Bras&iacute;lia para o Rio em 2000 e que, desde ent&atilde;o, n&atilde;o mant&eacute;m contato com ele: &ldquo;Nunca mais tive qualquer v&iacute;nculo comercial, social ou empresarial com o senhor Alexej&rdquo;. O senador Edison Lob&atilde;o Filho afirma n&atilde;o manter qualquer tipo de relacionamento com o ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky. &ldquo;N&atilde;o converso com esse indiv&iacute;duo&rdquo;, diz. &ldquo;Gra&ccedil;as a Deus (n&atilde;o tenho relacionamento comercial com ele). Se tivesse recebido algum valor dele, estaria pensando em me suicidar.&rdquo; Aparentemente, a origem da raiva &eacute; a antiga sociedade entre Alexej e M&aacute;rcio, irm&atilde;o do senador, na concession&aacute;ria BMW em Bras&iacute;lia. &ldquo;Meu irm&atilde;o, muito jovem, perdeu o neg&oacute;cio da vida dele por causa da gest&atilde;o desse indiv&iacute;duo. A BMW tomou a concession&aacute;ria dele.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Russo nega, por meio de nota, que tenha participado dos desvios descobertos pela SEC. &ldquo;A offshore (Spectra Trust) foi aberta com a inten&ccedil;&atilde;o de adquirir um im&oacute;vel nos Estados Unidos. A aquisi&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel n&atilde;o ocorreu, a empresa nunca realizou nenhuma movimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz ele. Russo disse que &ldquo;nunca determinou&rdquo; a abertura da conta banc&aacute;ria em nome da Spectra Trust, que recebia dinheiro ap&oacute;s as opera&ccedil;&otilde;es ilegais. &ldquo;A conta foi aberta de forma fraudulenta. N&atilde;o tinha conhecimento nem da abertura da conta nem de movimenta&ccedil;&atilde;o nela.&rdquo; Diz que nomeou advogados, no Brasil e nos Estados Unidos, para apurar o fato e afirma desconhecer &ldquo;a origem e destino desses recursos e aguardar as apura&ccedil;&otilde;es das autoridades competentes nos Estados Unidos para tomar medidas judiciais cab&iacute;veis&rdquo;. Russo enviou a &Eacute;POCA um laudo produzido nos EUA por uma per&iacute;cia independente. Segundo a interpreta&ccedil;&atilde;o de Russo, esse laudo comprova, por meio da an&aacute;lise das assinaturas usadas na abertura da conta, que a letra usada n&atilde;o era dele. O laudo aponta inconsist&ecirc;ncias, mas n&atilde;o afirma que houve fraude. Diz ainda ser &ldquo;prov&aacute;vel&rdquo;que a assinatura seja mesmo de Russo. Russo n&atilde;o forneceu a &Eacute;POCA os documentos analisados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Tanto Russo quanto Ad&iacute;lson, ent&atilde;o diretor financeiro do Postalis, defendem a decis&atilde;o de investir no Brasil Sovereign. &ldquo;O investimento atendia aos requisitos legais e ao que determinava a legisla&ccedil;&atilde;o e a pol&iacute;tica de investimentos aprovada em conselho&rdquo;, dizem ambos, em nota. O Postalis, por meio de nota, afirma algo parecido: &ldquo;A decis&atilde;o pelo investimento foi da Diretoria Financeira &agrave; &eacute;poca e seguiu os procedimentos e normas do Instituto. As aplica&ccedil;&otilde;es estavam em conformidade com as regras e limites previstos nas Resolu&ccedil;&otilde;es do Conselho Monet&aacute;rio Nacional e a Pol&iacute;tica de Investimento do Postalis&rdquo;. Na nota, o Postalis afirma ainda que trabalha para resolver o mico: &ldquo;Assim que tomou conhecimento do assunto, a Diretoria Executiva ajuizou protesto interruptivo de prescri&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, contratou escrit&oacute;rio de advocacia nos EUA para a ado&ccedil;&atilde;o de medidas cab&iacute;veis em defesa dos interesses do Instituto&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">O Mellon, que administrava o Brasil Sovereign em nome do Postalis, prefere n&atilde;o dar explica&ccedil;&otilde;es sobre o caso. &ldquo;Apesar de n&atilde;o podermos comentar assuntos espec&iacute;ficos de clientes, ressaltamos que levamos a s&eacute;rio nossas responsabilidade e estamos focados em fornecer aos nossos clientes servi&ccedil;os de qualidade e em ganhar sua cont&iacute;nua confian&ccedil;a&rdquo;, diz o Mellon em nota. Pelo acordo que fez com a Justi&ccedil;a americana, a que &Eacute;POCA teve acesso, Fabrizio n&atilde;o pode comentar, muito menos negar publicamente, as fraudes investigadas pela SEC no Brasil Sovereign. &ldquo;N&atilde;o vou falar&rdquo;, diz, mesmo quando questionado sobre sua rela&ccedil;&atilde;o com Russo e o PMDB. Brian Miller, advogado de Fabrizio nos EUA, n&atilde;o respondeu &agrave;s liga&ccedil;&otilde;es de &Eacute;POCA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">O Postalis minimiza as autua&ccedil;&otilde;es da Previc a seu atual presidente, Conquista. &ldquo;Autua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; condena&ccedil;&atilde;o. No caso do Postalis, o &uacute;nico auto de infra&ccedil;&atilde;o imputado ao presidente foi julgado improcedente. No que se refere &agrave; GEAP, n&atilde;o h&aacute; decis&atilde;o administrativa definitiva, sendo que um dos autos tamb&eacute;m j&aacute; foi divulgado improcedente&rdquo;, diz o Postalis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">A ascens&atilde;o de Miltinho<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Enquanto Fabrizio ca&iacute;a em desgra&ccedil;a, o lobista Milton Lyra, ligado a Renan e conhecido como Miltinho, ascendia em Bras&iacute;lia. Criou rela&ccedil;&otilde;es com Russo e Ad&iacute;lson. Miltinho organizou um investimento que deu preju&iacute;zos ao Postalis. Em 2010, o grupo Galileo Educacional foi criado para tentar salvar a universidade Gama Filho da bancarrota. O Galileo emitiu R$ 100 milh&otilde;es em deb&ecirc;ntures, t&iacute;tulos em que a empresa paga juros no futuro a quem a financia. A garantia eram as mensalidades do curso de medicina, o mais respeitado. O Postalis investiu R$ 75 milh&otilde;es no Galileo. Dois anos depois, Miltinho tornou-se diretor do Galileo. No ano passado, o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o descredenciou a Gama Filho, e milhares de estudantes ficaram sem aulas, sem diploma e, claro, n&atilde;o pagaram mensalidades. O grupo Galileo est&aacute; quebrado, com uma d&iacute;vida de cerca de R$ 900 milh&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">Tamb&eacute;m em 2010, Russo e Ad&iacute;lson fizeram outra opera&ccedil;&atilde;o question&aacute;vel para o Postalis. A dupla vendeu a sede do Postalis, em Bras&iacute;lia, a cunhados de Miltinho, por R$ 8,2 milh&otilde;es. O neg&oacute;cio foi feito em nome de uma empresa criada seis meses antes. Phelipe Matias, um dos cunhados, afirma ter faturado cerca de R$ 1,2 milh&atilde;o em alugu&eacute;is antes de revender o pr&eacute;dio. Agora, o Postalis paga R$ 139 mil de aluguel para ficar no mesmo lugar. A Previc autuou o Postalis pela opera&ccedil;&atilde;o. Por irregularidades, a Previ aplicou a Russo e Ad&iacute;lson multas de R$ 40 mil e os inabilitou por dois anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\">O Postalis diz que &ldquo;desinvestir em im&oacute;veis foi uma decis&atilde;o estrat&eacute;gica do Instituto&rdquo;. Afirma que, na venda do edif&iacute;cio-sede, houve concorr&ecirc;ncia e que a proposta dos cunhados de Miltinho era a melhor. Renan confirma que conhece Miltinho, mas n&atilde;o informa se fizeram ou mant&ecirc;m neg&oacute;cios em comum.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GLOBO16\/05\/2014 &nbsp; No final do governo Lula, um jovem e brilhante operador do mercado financeiro ascendia no rarefeito mundo da elite pol&iacute;tica de Bras&iacute;lia. 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