{"id":4727,"date":"2015-08-10T01:43:38","date_gmt":"2015-08-10T01:43:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/v2\/index.php\/franquia-substitui-correios-em-favela-do-rio-de-janeiro\/"},"modified":"2015-08-10T01:43:38","modified_gmt":"2015-08-10T01:43:38","slug":"franquia-substitui-correios-em-favela-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/franquia-substitui-correios-em-favela-do-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Franquia substitui Correios em favela do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Revista Pequenas Empresas &amp; Grandes Neg&oacute;cios<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\"> 21\/03\/2014<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Rua 2, beco 17, casa 7, Rocinha, Rio de Janeiro. Durante mais de metade da sua vida, Jo&atilde;o Sim&atilde;o de Azevedo, 78 anos, preencheu esse endere&ccedil;o em cadastros de lojas ou para vagas de emprego.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">O ex-pedreiro, por&eacute;m, nunca recebia cartas em casa &mdash; ele morava em uma &aacute;rea irregular, fora do alcance dos <strong>Correios<\/strong>. Sua correspond&ecirc;ncia, como a dos vizinhos, ia para uma caixa de papel&atilde;o que ficava no in&iacute;cio da rua. At&eacute; hoje seu Jo&atilde;o guarda na mem&oacute;ria a primeira vez em que uma carta chegou &agrave; sua porta, no ano 2000. Era a resposta positiva ao pedido de aposentadoria &mdash; ele chorou ao receber a not&iacute;cia. Essa foi tamb&eacute;m a entrega de estreia do Carteiro Amigo, uma empresa criada por tr&ecirc;s moradores da Rocinha. Era algo in&eacute;dito: eles queriam distribuir correspond&ecirc;ncias nas favelas em que os Correios n&atilde;o chegavam, devido &agrave; dificuldade de achar ruas que n&atilde;o est&atilde;o no mapa.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A iniciativa foi concebida pelos primos Silas da Silva, 44 anos, e Carlos Pedro da Silva, 43, e pela mulher de Carlos, Elaine da Silva, 41. Trabalhando como recenseadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica) na Rocinha, os tr&ecirc;s constataram como era dif&iacute;cil encontrar os destinat&aacute;rios. &ldquo;Se &eacute; complicado para a gente, que mora l&aacute;, imagina para um carteiro&rdquo;, diz Silas. Nas favelas, como muitas casas n&atilde;o t&ecirc;m endere&ccedil;o certo, boa parte das cartas &eacute; deixada em caixas ou em pontos comerciais, e cabe ao morador descobrir onde elas foram parar. S&oacute; na Rocinha hoje h&aacute; 70 mil moradores.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A experi&ecirc;ncia do trio no Censo de 2000 fez surgir uma ideia: se o IBGE recrutava pessoas da pr&oacute;pria comunidade para suas pesquisas, por que n&atilde;o fazer o mesmo com as entregas? Para descobrir se a iniciativa tinha futuro, ao terminar o question&aacute;rio do IBGE, eles perguntavam aos moradores se eles pagariam para receber a correspond&ecirc;ncia em casa. Quase todos respondiam que sim. Isso os incentivou a largar seus empregos e se dedicar integralmente ao projeto, em novembro de 2000.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">De in&iacute;cio, a preocupa&ccedil;&atilde;o dos fundadores era conquistar a confian&ccedil;a dos moradores. Eles n&atilde;o queriam que o neg&oacute;cio fosse confundido com um dos in&uacute;meros projetos sociais criados na comunidade que desapareciam depois de alguns meses. &ldquo;Alugamos uma loja para as pessoas nos enxergarem como uma empresa&rdquo;, afirma Silas. O trio fez um acordo com um amigo que tinha um im&oacute;vel desocupado: se o neg&oacute;cio vingasse, pagariam o aluguel.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">O pr&oacute;ximo passo foi comprar os uniformes &mdash; em 12 presta&ccedil;&otilde;es &mdash; e instalar um telefone na loja com a ajuda de um empr&eacute;stimo banc&aacute;rio. Para atrair os primeiros clientes, eles ofereceram o servi&ccedil;o de gra&ccedil;a no primeiro m&ecirc;s; ap&oacute;s esse per&iacute;odo, o custo mensal seria de R$ 3. N&atilde;o h&aacute; uma parceria com os Correios: o Carteiro Amigo busca as correspond&ecirc;ncias nas caixas e nos pontos comerciais da favela. Com o tempo, alguns moradores passaram at&eacute; a colocar a loja como seu endere&ccedil;o residencial.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Os pr&oacute;prios s&oacute;cios foram os primeiros carteiros. Depois de tr&ecirc;s meses, eles arrecadaram o suficiente para pagar as d&iacute;vidas e contratar funcion&aacute;rios, sempre recrutados na comunidade. Logo, come&ccedil;aram a abrir lojas em outros pontos da Rocinha. Em dois anos, empregavam 27 pessoas em quatro unidades. Foi a&iacute; que notaram que haviam cometido um erro: era caro e desnecess&aacute;rio ter tantas lojas. &ldquo;Somos um servi&ccedil;o de entrega, n&atilde;o precisamos de uma estrutura grande&rdquo;, diz Silas. Ent&atilde;o, eles fecharam tr&ecirc;s unidades e reduziram o n&uacute;mero de funcion&aacute;rios para oito.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Corrigida a rota, o neg&oacute;cio continuou crescendo. No final de 2012, o trio voltou a pensar em expans&atilde;o, mas em um novo formato. Seguindo a recomenda&ccedil;&atilde;o de consultores do Sebrae Rio de Janeiro, eles decidiram se preparar para, em 2013, transformar-se na primeira franquia criada em uma favela brasileira.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Os s&oacute;cios come&ccedil;aram a negociar as unidades em setembro. Em tr&ecirc;s meses, j&aacute; tinham oito franqueados no Rio, em pontos como o Morro do Alem&atilde;o, o Morro do Juramento e a Favela do Rola. O investimento inicial em uma unidade &eacute; de R$ 30.300. O administrador de empresas Alexandre Bastos, 43 anos, &eacute; dono de cinco franquias, em sociedade com sua mulher, Maria Laura, 52. O que o levou a investir no neg&oacute;cio foi a possibilidade de ter uma empresa enxuta. &ldquo;Voc&ecirc; n&atilde;o precisa de uma grande estrutura. S&oacute; de algu&eacute;m que conhe&ccedil;a bem a comunidade, tanto os endere&ccedil;os como a rotina das pes-soas&rdquo;, afirma. &ldquo;O resto do servi&ccedil;o &eacute; pura log&iacute;stica.&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Hoje, a rede tem 7 mil clientes, que pagam R$ 16 por m&ecirc;s para receber as cartas (a empresa n&atilde;o divulga o faturamento). O plano dos s&oacute;cios &eacute; levar o Carteiro Amigo para outros estados. Agora, eles avaliam propostas da Bahia e de S&atilde;o Paulo. &ldquo;Quanto mais gente tiver acesso ao nosso servi&ccedil;o, melhor. Mudamos a vida das pessoas, por isso queremos que a empresa vire um legado&rdquo;, diz Silas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Como lucrar fazendo o bem&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Quatro dicas de Alexandre Bastos, o maior franqueado do Carteiro Amigo, para fazer um neg&oacute;cio de impacto social dar certo na favela&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Fa&ccedil;a parcerias &#8211; A associa&ccedil;&atilde;o de moradores &eacute; o melhor canal para conhecer uma favela. Al&eacute;m disso, seus integrantes podem indicar seu trabalho para quem mora na regi&atilde;o.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Pesquise h&aacute;bitos &#8211; Descubra o que faz um neg&oacute;cio prosperar na regi&atilde;o: observe os hor&aacute;rios de fluxo do p&uacute;blico, entenda as maneiras de vender para ele e adapte sua empresa a esse cen&aacute;rio.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Empregue o morador &#8211; Ter na equipe pessoas que conhecem e entendem os clientes &eacute; um trunfo , por isso priorize esses candidatos na hora da sele&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Cumpra o prometido &#8211; N&atilde;o d&ecirc; desculpas: fa&ccedil;a o que prometeu. Cumprir prazos e acordos &eacute; a chave para conquistar de vez a confian&ccedil;a do p&uacute;blico.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Pequenas Empresas &amp; Grandes Neg&oacute;cios 21\/03\/2014 &nbsp; Rua 2, beco 17, casa 7, Rocinha, Rio de Janeiro. 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