{"id":4587,"date":"2015-08-10T01:42:49","date_gmt":"2015-08-10T01:42:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/v2\/index.php\/fundos-de-pensao-de-servidores-na-mira-do-ministerio-da-previdencia\/"},"modified":"2015-08-10T01:42:49","modified_gmt":"2015-08-10T01:42:49","slug":"fundos-de-pensao-de-servidores-na-mira-do-ministerio-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/fundos-de-pensao-de-servidores-na-mira-do-ministerio-da-previdencia\/","title":{"rendered":"Fundos de pens\u00e3o de servidores na mira do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><!--?xml:namespace prefix = \"o\" ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/--><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\">Valor<br \/>14\/10\/2013<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Por Ma&iacute;ra Magro e Eduardo Campos | De Bras&iacute;lia<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Com um patrim&ocirc;nio total de 180 bilh&otilde;es, os fundos de pens&atilde;o municipais e estaduais s&atilde;o alvo de fraudes que provocam uma sangria nos recursos destinados &agrave; aposentadoria de milh&otilde;es de brasileiros. Auditorias do Minist&eacute;rio da Previd&ecirc;ncia identificaram irregularidades em Regimes Pr&oacute;prios de Previd&ecirc;ncia (RPPS) de 165 prefeituras e tr&ecirc;s Estados &#8211; Tocantins, Roraima e Rio Grande do Norte. Autoridades ainda ter&atilde;o que separar os casos de m&aacute; gest&atilde;o ou ind&iacute;cios de crime.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Mas o rombo, ao que tudo indica, &eacute; muito maior que o desvio de mais de R$ 60 milh&otilde;es j&aacute; descoberto pela Pol&iacute;cia Federal na opera&ccedil;&atilde;o Miqueias, cujas investiga&ccedil;&otilde;es focaram at&eacute; agora nos fundos de pens&atilde;o de 15 munic&iacute;pios, em seis Estados. Uma amostra pequena, se comparada ao universo de mais de 2 mil prefeituras que contam com os RPPS, al&eacute;m dos 26 Estados e do Distrito Federal. Quando a Miqueias foi deflagrada, em 19 de setembro, a delegada Andrea Pinho Albuquerque, respons&aacute;vel pelas investiga&ccedil;&otilde;es, declarou que se tratava s&oacute; da &#8220;ponta do iceberg&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Os fundos de pens&atilde;o municipais e estaduais foram criados para garantir a aposentadoria de quase 7 milh&otilde;es de servidores. Metade da carteira bilion&aacute;ria est&aacute; investida no mercado financeiro ou em ativos como royalties do petr&oacute;leo e im&oacute;veis. Mas com uma gest&atilde;o falha, esses portf&oacute;lios despertaram o interesse de fraudadores que se enriquecem &agrave;s custas de dinheiro p&uacute;blico. Entre os problemas est&atilde;o aus&ecirc;ncia de controle interno eficiente, falta de capacita&ccedil;&atilde;o dos gestores, somadas &agrave; inger&ecirc;ncia pol&iacute;tica de alguns governos locais e, suspeita-se, at&eacute; de deputados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Para se ter uma ideia, um munic&iacute;pio no interior de S&atilde;o Paulo designou motoristas e copeiros como gestores do seu regime de previd&ecirc;ncia. H&aacute; exemplos de administradores graduados demitidos por se recusar a fazer certas aplica&ccedil;&otilde;es. &#8220;Em muitos casos, percebemos que as decis&otilde;es de investimento foram tomadas &agrave; revelia do conselho gestor&#8221;, afirmou Otoni Gon&ccedil;alves Guimar&atilde;es, diretor dos Regimes de Previd&ecirc;ncia do Setor P&uacute;blico do Minist&eacute;rio da Previd&ecirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>As auditorias verificaram uma s&eacute;rie de aplica&ccedil;&otilde;es em fundos de investimento duvidosos, diversos deles com pouco tempo de exist&ecirc;ncia. Outro dado suspeito &eacute; que a maioria, ou mesmo o total dos cotistas de alguns fundos, era de RPPS &#8211; embora o investimento fosse aberto ao mercado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Alguns RPPs aplicaram em fundos que tinham investimentos em pap&eacute;is do banco BVA, mesmo depois de a institui&ccedil;&atilde;o sofrer interven&ccedil;&atilde;o do Banco Central (BC). Ou seja, o gestor comprou a cota de um fundo que j&aacute; contava com provis&otilde;es para perdas decorrentes desses t&iacute;tulos problem&aacute;ticos dentro de sua carteira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>No ManausPrev, regime de previd&ecirc;ncia da capital do Amazonas, auditado em 2012, os aportes em fundos de investimentos suspeitos passaram de R$ 90 milh&otilde;es. Segundo auditoria mencionada nas investiga&ccedil;&otilde;es da PF, s&oacute; com aplica&ccedil;&otilde;es em fundos com ativos do BVA em carteira, as perdas foram de R$ 35,978 milh&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Outro caso que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; o instituto de previd&ecirc;ncia de Catal&atilde;o, no interior de Goi&aacute;s, que sacou dinheiro de fundos do Banco do Brasil e aplicou mais de R$ 8 milh&otilde;es em outros ve&iacute;culos de investimento que j&aacute; amargavam perdas co com pap&eacute;is do BVA. Tamb&eacute;m foram verificados aportes em fundos com exposi&ccedil;&atilde;o a ativos do Banco Rural, al&eacute;m de t&iacute;tulos de cr&eacute;dito privado de empresas de fachada e de outras declaradamente insolventes ou &agrave; beira da bancarrota.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>A identifica&ccedil;&atilde;o de impropriedades no gerenciamento dos fundos de pens&atilde;o gerou, desde o ano passado, 190 representa&ccedil;&otilde;es do setor de fiscaliza&ccedil;&atilde;o da Previd&ecirc;ncia a &oacute;rg&atilde;os como PF, Minist&eacute;rio P&uacute;blico, tribunais de contas, Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios (CVM) e Banco Central, pedindo uma apura&ccedil;&atilde;o mais detalhada dos casos. V&aacute;rias apontam ind&iacute;cios de crimes como apropria&ccedil;&atilde;o ind&eacute;bita (contribui&ccedil;&otilde;es descontadas, mas n&atilde;o depositadas), improbidade administrativa, falsidade ideol&oacute;gica e uso indevido de recursos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Na opera&ccedil;&atilde;o Miqueias, a PF lan&ccedil;ou luz sobre o funcionamento dessas fraudes, ao identificar uma organiza&ccedil;&atilde;o criminosa especializada em lavar dinheiro e desviar recursos de fundos de pens&atilde;o municipais e estaduais. H&aacute; suspeitas de que outros grupos estejam agindo de forma semelhante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Segundo o inqu&eacute;rito, a suposta organiza&ccedil;&atilde;o criminosa era chefiada de Bras&iacute;lia pelo doleiro Fayed Traboulsi e o policial civil aposentado Marcelo Toledo. Eles eram s&oacute;cios da Invista Investimentos Inteligentes, que se apresentava como agente aut&ocirc;nomo sugerindo aplica&ccedil;&otilde;es aos gestores de RPPS em fundos de investimentos. A Invista, por&eacute;m, nem CNPJ tinha, muito menos registro junto &agrave; CVM.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>A organiza&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;ava m&atilde;o de &#8220;pastinhas&#8221;, algumas delas modelos, que ofereciam aplica&ccedil;&otilde;es para prefeitos e gestores de RPPSs, que em alguns casos recebiam em troca de 2% a 3% do percentual investido. Entre as op&ccedil;&otilde;es oferecidas aos RPPS estavam o Fundo de Investimento Diferencial Renda Fixa Longo Prazo, Adinvest Top Fundo de Investimento Renda Fixa, Patriarca Private Equity FIP, Fundo de Investimento Renda Fixa Elo e Vit&oacute;ria R&eacute;gia Fundo de Investimento de Renda Fixa Longo Prazo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Algumas das corretoras e operadores investigados na Miqueias j&aacute; estiveram envolvidos inclusive em esc&acirc;ndalos anteriores, como a CPI dos <strong>Correios<\/strong>, que se desdobrou no mensal&atilde;o. A diferen&ccedil;a &eacute; que, antes, as fraudes eram feitas com t&iacute;tulos p&uacute;blicos &#8211; e agora incorporam d&iacute;vidas privadas e fundos especialmente criados para fraudar RPPS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Os RPPs foram criados em 1998 pela Emenda Constitucional 20, que modificou o sistema de previd&ecirc;ncia no Brasil. Com esses fundos, os servidores s&atilde;o afastados do Regime Geral de Previd&ecirc;ncia Social (INSS). Mas grande parte dos regimes pr&oacute;prios contabilizam um d&eacute;ficit financeiro e atuarial. &Eacute; um segmento que cresceu mais rapidamente em menos de uma d&eacute;cada, com o patrim&ocirc;nio passando de R$ 19,3 bilh&otilde;es, em 2004, para a casa dos R$ 180 bilh&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Na tentativa de buscar equil&iacute;brio financeiro, a lei permitiu uma capitaliza&ccedil;&atilde;o dos RPPSs no mercado, com investimentos em renda fixa, vari&aacute;vel e im&oacute;veis. O Conselho Monet&aacute;rio Nacional (CMN) estipulou regras e limites para cada modalidade de aplica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; com base nessas regras que a fiscaliza&ccedil;&atilde;o da Previd&ecirc;ncia promove auditorias presenciais e indiretas nos RPPSs.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial','sans-serif'; font-size: small;\"><br \/>Cada regime pr&oacute;prio conta com um gestor respons&aacute;vel, designado pelo prefeito ou governador. Aqueles com carteira superior a R$ 5 milh&otilde;es s&atilde;o obrigados a ter um gestor certificado e comit&ecirc; de investimentos que define a pol&iacute;tica do fundo e presta contas &agrave; Previd&ecirc;ncia. A partir de 2015, essas exig&ecirc;ncias passar&atilde;o a valer para todos os RPPSs, independentemente do valor gerido &#8211; uma tentativa de melhorar o controle da aposentadoria de milh&otilde;es de brasileiros.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor14\/10\/2013 Por Ma&iacute;ra Magro e Eduardo Campos | De Bras&iacute;lia Com um patrim&ocirc;nio total de 180 bilh&otilde;es, os fundos de pens&atilde;o municipais e estaduais s&atilde;o alvo de fraudes que provocam&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4587"}],"collection":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4587\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}