{"id":4454,"date":"2015-08-10T01:42:10","date_gmt":"2015-08-10T01:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/v2\/index.php\/as-chances-perdidas\/"},"modified":"2015-08-10T01:42:10","modified_gmt":"2015-08-10T01:42:10","slug":"as-chances-perdidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/as-chances-perdidas\/","title":{"rendered":"As chances perdidas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Correio Braziliense<br \/>03\/06\/2013<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, sintetizou semana passada o grande desafio do governo Dilma Rousseff para impedir que o seu mandato seja marcado por quatro anos seguidos de pibinhos. Ele repetiu a constata&ccedil;&atilde;o, feita h&aacute; mais de um ano pela maioria dos analistas, de correntes variadas, sobre o esgotamento do modelo de crescimento do PIB baseado no consumo e a necessidade de se migrar para outro, pautado pelo investimento direto em infraestrutura, na capacidade de produ&ccedil;&atilde;o e na qualifica&ccedil;&atilde;o profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A declara&ccedil;&atilde;o de Tombini feita na TV menos de 24 horas ap&oacute;s ter liderado a decis&atilde;o un&acirc;nime do BC de acelerar a curva de aperto monet&aacute;rio, com a subida da taxa b&aacute;sica de juros (Selic) em mais 0,5 ponto, para 8% anuais, pode at&eacute; soar contradit&oacute;ria, se contabilizarmos as expressivas ren&uacute;ncias fiscais da Uni&atilde;o para manter a demanda dom&eacute;stica aquecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que mudou de verdade foi a percep&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria presidente da Rep&uacute;blica de que a sua meta de transformar o Brasil em um canteiro de obras tocadas com desenvoltura razo&aacute;vel deixou de ser algo apenas desej&aacute;vel para ser um imperativo &mdash; a &uacute;nica chance de superar a decrescente competitividade das empresas instaladas no territ&oacute;rio nacional e a melhor vacina contra poss&iacute;veis dissabores no calend&aacute;rio eleitoral, j&aacute; antecipado como nunca antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre tamb&eacute;m que a infla&ccedil;&atilde;o deixou de ser apenas um ligeiro sintoma colateral da grande miss&atilde;o do Minist&eacute;rio da Fazenda: impedir que a frente fria da economia europeia piore ainda mais o nosso clima dom&eacute;stico de retomada e, como tem sido feito desde a crise internacional de 2008-2009, fazer do mercado interno o manjado ant&iacute;doto contra a desacelera&ccedil;&atilde;o externa, particularmente da locomotiva chinesa, da qual nunca fomos t&atilde;o dependentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lamento que as boas e providenciais inten&ccedil;&otilde;es de Dilma, laconicamente expressadas por Tombini e evidenciadas pelos recentes ajustes em favor da rentabilidade das concess&otilde;es de infraestrutura, ainda n&atilde;o tenham conseguido desarmar os receios do capital com o vi&eacute;s intervencionista do terceiro turno da gest&atilde;o petista. Estado e empresas nutrem desconfian&ccedil;as m&uacute;tuas que prejudicam em &uacute;ltima an&aacute;lise o desenvolvimento sustent&aacute;vel do pa&iacute;s, deixando a m&eacute;dio prazo as solu&ccedil;&otilde;es para nossos impasses bem mais escassas e caras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Planalto dever&aacute; ter nos pr&oacute;ximos meses uma nova rodada de conversas ao p&eacute; do ouvido com os principais empres&aacute;rios do pa&iacute;s, buscando garantir sucesso e rapidez nas iniciativas que ser&atilde;o anunciadas em bloco, entre setembro e outubro, e j&aacute; apelidadas de PAC 3, o re-relan&ccedil;amento do Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento (PAC), de 2007. Destravar projetos para portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo e linhas de transmiss&atilde;o de energia s&atilde;o essenciais para reduzir o Custo Brasil e elevar o Investe Brasil. N&atilde;o podemos mais nos dar ao luxo de esperar cinco anos para licitar po&ccedil;os de g&aacute;s e petr&oacute;leo. Dilma sabe disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Capital arejado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que ignorou entre os seus planos priorit&aacute;rios foi uma medida relativamente simples, discutida dentro do governo h&aacute; anos, que poderia ter viabilizado investimentos e contribu&iacute;do imediatamente para uma melhor efic&aacute;cia econ&ocirc;mica do pa&iacute;s. A abertura do capital de duas grandes estatais federais de perfil monopolista &mdash; os <strong>Correios<\/strong> e a Infraero &mdash; poderia j&aacute; estar rendendo lucros expressivos para ambas e para a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que Petrobras e Banco do Brasil poderiam continuar sob o comando da Uni&atilde;o, no figurino soberano de acionista majorit&aacute;rio, mas fortalecidas pela liberta&ccedil;&atilde;o de amarras legais e de alguns entulhos burocr&aacute;ticos, seus balan&ccedil;os e planos estrat&eacute;gicos seriam acompanhados por auditores externos, analistas e pelos investidores minorit&aacute;rios. Al&eacute;m de mais transparentes, teriam no mercado uma fonte alternativa de capitaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transformar Correios e Infraero em SAs teria impedido a operadora aeroportu&aacute;ria, que completou seu 40&ordm; anivers&aacute;rio na &uacute;ltima sexta-feira, passar o vexame de esperar seis meses para substituir uma escada rolante. O servi&ccedil;o postal, por sua vez, poderia ter agregado mais rapidamente tecnologias e parceiros ao seu cotidiano, evitando eventuais perdas ao seu maior patrim&ocirc;nio, acumulado em 350 anos de hist&oacute;ria, a credibilidade nas entregas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abertura de capital da ECT vinha sendo proposta desde o governo Lula, quando a institui&ccedil;&atilde;o ainda era alvo de cr&iacute;ticas em raz&atilde;o de epis&oacute;dios que misturavam corrup&ccedil;&atilde;o e den&uacute;ncias de uso partid&aacute;rio de sua gest&atilde;o. N&atilde;o evoluiu, assim como a velha quest&atilde;o judicial em torno de sua rede de franquias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da Infraero, o seu ex-presidente S&eacute;rgio Gaudenzi defendeu, at&eacute; o fim, a entrada na bolsa de valores como forma de constituir o primeiro capital pr&oacute;prio da estatal e desembara&ccedil;ar probleminhas do dia a dia. At&eacute; ent&atilde;o, a companhia apenas tomava conta dos ativos da Uni&atilde;o, os 67 aeroportos de sua rede. Somente recentemente seu portf&oacute;lio incluiu como bens os contratos de concess&atilde;o que assinou na condi&ccedil;&atilde;o de s&oacute;cia das operadoras privadas de tr&ecirc;s grandes terminais: Guarulhos (SP), Campinas (SP) e Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se tivesse antecipado as fases, tornando-se, antes dos leil&otilde;es de privatiza&ccedil;&otilde;es, um agente experiente do setor, sem os obst&aacute;culos da Lei de Licita&ccedil;&otilde;es (8.666), a Infraero poderia j&aacute; ter adiantado a empreitada de obras e evitado constrangimentos, apesar de todos os avan&ccedil;os trazidos pela atual diretoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Correio Braziliense03\/06\/2013 O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, sintetizou semana passada o grande desafio do governo Dilma Rousseff para impedir que o seu mandato seja marcado por&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4454"}],"collection":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4454"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4454\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}