{"id":4410,"date":"2015-08-10T01:41:57","date_gmt":"2015-08-10T01:41:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adcap.org.br\/v2\/index.php\/maquina-estatal-de-noticias-custa-r-900-mi\/"},"modified":"2015-08-10T01:41:57","modified_gmt":"2015-08-10T01:41:57","slug":"maquina-estatal-de-noticias-custa-r-900-mi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/maquina-estatal-de-noticias-custa-r-900-mi\/","title":{"rendered":"M\u00e1quina estatal de not\u00edcias custa R$ 900 mi"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado de S. Paulo<br \/>21\/04\/2013<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os gastos crescentes com a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) e o uso cada vez mais comum de servi&ccedil;os terceirizados de assessoria de imprensa nos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos criaram nos &uacute;ltimos anos uma m&aacute;quina estatal de informa&ccedil;&otilde;es que emprega mais de 3.600 profissionais e cujos gastos anuais, giram em torno de R$ 900 milh&otilde;es. A estrutura de comunica&ccedil;&atilde;o federal se divide em tr&ecirc;s eixos. O primeiro se prop&otilde;e a ser uma esp&eacute;cie de &#8220;BBC brasileira&#8221;, com um servi&ccedil;o p&uacute;blico de informa&ccedil;&otilde;es envolvendo a TV Brasil, a TV Brasil Internacional, oito emissoras de r&aacute;dio e a Ag&ecirc;ncia Brasil, que produz not&iacute;cias com acesso livre. O segundo envolve a NBR, que integra a estrutura da EBC. O canal institucional transmite ao vivo todas as cerim&ocirc;nias da Presid&ecirc;ncia e tem programas de r&aacute;dio reproduzidos em todo o Pa&iacute;s; a Voz do Brasil &#8211; di&aacute;rio, obrigat&oacute;rio para todas as emissoras, de segunda a sexta-feira, das 19 h &agrave;s 20 h -, Caf&eacute; com a Presidenta, Bom Dia Ministro e Brasil em Pauta. Esses dois eixos sob o chap&eacute;u da EBC contam com or&ccedil;amento de R$ 533 milh&otilde;es este ano &#8211; 21% superior ao de 2012. A estrutura disp&otilde;e de 1.926 profissionais. O terceiro eixo &eacute; o de assessorias de imprensa. Os gastos anuais do governo federal com esse servi&ccedil;o &#8211; incluindo Presid&ecirc;ncia e minist&eacute;rios &#8211; s&atilde;o de R$ 97 milh&otilde;es. Cerca de 500 profissionais cuidam da imagem da administra&ccedil;&atilde;o, repassando informa&ccedil;&otilde;es oficiais a jornais, TVs, r&aacute;dios e canais de internet privados.<\/p>\n<p>Nas empresas estatais, como Petrobr&aacute;s e <strong>Correios<\/strong>, a estimativa &#8211; elas n&atilde;o divulgam n&uacute;meros &#8211; &eacute; a de que o gasto chegue a R$ 250 milh&otilde;es ao ano, com 1.200 profissionais envolvidos. Boa parte dos servi&ccedil;o &eacute; terceirizada. Duas empresas privadas dominam o mercado da informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica na Esplanada dos Minist&eacute;rios: a FSB Comunica&ccedil;&otilde;es e a Companhia de Not&iacute;cias (CDN). A FSB tem, por exemplo, 84 profissionais &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e do Minist&eacute;rio do Turismo. Na pasta da Sa&uacute;de, s&atilde;o atendidos 800 pedidos da imprensa por m&ecirc;s e produzidos 200 textos de divulga&ccedil;&atilde;o. A empresa produz ainda 100 pe&ccedil;as jornal&iacute;sticas &#8211; com vi&eacute;s pr&oacute;-governo &#8211; ao m&ecirc;s. Elas ficam &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de 2 mil r&aacute;dios espalhadas pelo Pa&iacute;s. H&aacute; ainda a atua&ccedil;&atilde;o nas redes sociais, que recebem cerca de 4 mil interven&ccedil;&otilde;es mensais da assessoria. Audi&ecirc;ncia. O projeto mais ousado do governo refere-se ao primeiro eixo da estrutura de comunica&ccedil;&atilde;o estatal a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede p&uacute;blica de informa&ccedil;&otilde;es. AEBC foi criada h&aacute; seis anos, na gest&atilde;o do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, ap&oacute;s a fus&atilde;o das antigas Radiobr&aacute;s e TVE-Brasil &#8211; esta com sede no Rio. Ministro da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (Secom) &agrave; &eacute;poca, Franklin Martins dizia que a rede serviria para se contrapor &agrave; &#8220;grande m&iacute;dia&#8221;. Nessa meia d&eacute;cada, o sinal da TV Brasil, que emprega 479 funcion&aacute;rios, chega a 61% da popula&ccedil;&atilde;o, com 7 emissoras pr&oacute;prias e 45 afiliadas. A audi&ecirc;ncia, por&eacute;m, &eacute; baixa. Em 2012, a prefer&ecirc;ncia pelo canal na Grande S&atilde;o Paulo variou de 0,06 a 0,11 ponto no Ibope. O SBT, por exemplo, tem uma estrutura que conta com 3.876 funcion&aacute;rios, 5 emissoras e 103 afiliadas, com abrang&ecirc;ncia de 97% do Pa&iacute;s. Sua audi&ecirc;ncia m&eacute;dia na Grande S&atilde;o Paulo no ano passado foi de 5 pontos no Ibope. A Globo, maior rede de TV brasileira, tem uma estrutura de 9.600 funcion&aacute;rios, 5 emissoras e 117 afiliadas com abrang&ecirc;ncia de 98% do Pa&iacute;s. Sua audi&ecirc;ncia m&eacute;dia na Grande S&atilde;o Paulo em 2012 foi de 12 pontos.<\/p>\n<p>As redes privadas n&atilde;o divulgam seus or&ccedil;amentos anuais por considerar os dados estrat&eacute;gicos. Contradi&ccedil;&atilde;o. Ex-presidente da extinta Radiobr&aacute;s, estatal que deu origem &agrave; EBC, o jornalista e colunista do Estado Eug&ecirc;nio Bucci ressalta que a fun&ccedil;&atilde;o central de uma TV p&uacute;blica n&atilde;o &eacute; dar audi&ecirc;ncia, e sim desenvolver programas educativos, culturais e jornal&iacute;sticos com vi&eacute;s diferente da grande m&iacute;dia. O fato de a audi&ecirc;ncia da TV Brasil n&atilde;o sair do tra&ccedil;o, por&eacute;m, preocupa. &#8220;Tem muita coisa muito ruim que d&aacute; audi&ecirc;ncia. N&atilde;o podemos viver a tirania da audi&ecirc;ncia, mas alguma audi&ecirc;ncia precisa existir&#8221;, afirma. Bucci tamb&eacute;m questiona o fato de a EBC ser respons&aacute;vel tanto por coordenar uma TV p&uacute;blica aos moldes da BBC brit&acirc;nica, como prestar servi&ccedil;os de interesse governamental, com a produ&ccedil;&atilde;o de programas como o Caf&eacute; com a Presidenta. Para ele, essas s&atilde;o duas voca&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias. &#8220;Eu n&atilde;o acho que seja o formato ideal uma emissora p&uacute;blica prestar servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o ao governo. O ideal &eacute; que fossem duas estruturas separadas.&#8221; Outra caracter&iacute;stica contradit&oacute;ria da EBC, segundo o jornalista, &eacute; o fato de a presidente da Rep&uacute;blica nomear o diretor da estatal, sem que o escolhido passe, nem sequer, por uma sabatina no Congresso, como acontece com os indicados a outros &oacute;rg&atilde;os. Numa emissora p&uacute;blica, defende Bucci, o presidente deveria ser escolhido por um conselho de representantes da sociedade &#8211; isso garantiria menor n&iacute;vel de interfer&ecirc;ncia dos interesses do governo na programa&ccedil;&atilde;o. Professor de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da Universidade Federal do ABC, S&eacute;rgio Pra&ccedil;a afirma que a EBC teria mais autonomia se n&atilde;o fosse vinculada &agrave; Secom. &#8220;Isso &eacute; muito esquisito. O desej&aacute;vel &eacute; que a Secom fizesse esse papel mais institucional e uma outra empresa, no caso a EBC, faria a TV p&uacute;blica.&#8221; Ele tamb&eacute;m questiona o fato de o presidente da EBC ser nomeado pela Presid&ecirc;ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O Estado de S. 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