{"id":20696,"date":"2026-01-28T14:24:17","date_gmt":"2026-01-28T14:24:17","guid":{"rendered":"https:\/\/adcap.org.br\/?p=20696"},"modified":"2026-01-28T14:25:11","modified_gmt":"2026-01-28T14:25:11","slug":"adcap-net-28-01-2026-saiu-na-midia-os-correios-podem-voltar-a-ser-uma-empresa-publica-eficiente-e-competitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/adcap-net-28-01-2026-saiu-na-midia-os-correios-podem-voltar-a-ser-uma-empresa-publica-eficiente-e-competitiva\/","title":{"rendered":"ADCAP Net 28\/01\/2026 \u2013 Saiu na m\u00eddia: Os Correios podem voltar a ser uma empresa p\u00fablica eficiente e competitiva?"},"content":{"rendered":"<p>Abaixo, mat\u00e9ria de hoje, 28\/01, do Correio Braziliense, sobre os Correios. Texto bem estruturado, que traduz o pano de fundo da quest\u00e3o do arcabou\u00e7o econ\u00f4mico do setor postal. Mas, quest\u00f5es como modelo de governan\u00e7a, de neg\u00f3cios, profissionaliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o necessitam, tamb\u00e9m, ser debatidos e desenvolvidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Dire\u00e7\u00e3o Nacional da ADCAP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os Correios podem voltar a ser uma empresa p\u00fablica eficiente e competitiva?<\/strong><\/p>\n<p>Para que os Correios voltem a ser uma empresa p\u00fablica eficiente e competitiva, \u00e9 fundamental que se abram di\u00e1logos construtivos com apontamentos de solu\u00e7\u00f5es concretas que beneficiem \u00e0 sociedade<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Correio Braziliense<br \/>\n28\/01\/2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fernando Amorim Teixeira \u2014 doutor em economia (UFF) e diretor de pol\u00edticas p\u00fablicas do Centro de Finan\u00e7as Sustent\u00e1veis (CeFiS\/UFRJ); Gustavo Teixeira Ferreira da Silva \u2014 doutor em economia (UFF) e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Financeiriza\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (FINDE\/UFF)<\/p>\n<p>A sa\u00fade financeira dos Correios ganha destaque nas \u00faltimas semanas, reabrindo o debate sobre a gest\u00e3o de empresas p\u00fablicas no Brasil. Grande parte das an\u00e1lises, contudo, segue restrita \u00e0 dicotomia Estado versus Mercado em busca de um veredito definitivo sobre o que deve ser feito com a estatal. H\u00e1 aspectos essenciais, no entanto, que est\u00e3o sendo negligenciados e que podem permitir a constru\u00e7\u00e3o de um modelo de neg\u00f3cios que harmonize sustentabilidade financeira, adapta\u00e7\u00e3o do mercado postal e gera\u00e7\u00e3o de valor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Quando analisamos os atuais montantes referente ao preju\u00edzo econ\u00f4mico e a necessidade financeira dos Correios, n\u00e3o podemos desconsiderar o seu papel hist\u00f3rico, que exigiu capilaridade nacional e grande estrutura empresarial. Tampouco devemos ignorar momentos pol\u00edticos que priorizaram a aliena\u00e7\u00e3o de ativos estatais, ao inv\u00e9s de um planejamento estrat\u00e9gico voltado para as novas din\u00e2micas setoriais.<\/p>\n<p>Empresas estatais dos mais diversos setores precisam ser capazes de assumir riscos para cumprir com as fun\u00e7\u00f5es estabelecidas em seu estatuto, enquanto criam e formatam novos mercados para que o setor privado se sinta confort\u00e1vel em investir. A sustentabilidade financeira, nesses casos, n\u00e3o \u00e9 apenas uma condi\u00e7\u00e3o de solv\u00eancia, mas um arranjo que assegura seu papel p\u00fablico, sem comprometer a competi\u00e7\u00e3o, a disciplina fiscal ou a credibilidade regulat\u00f3ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 farta literatura sobre como conciliar neutralidade competitiva, Obriga\u00e7\u00f5es de Servi\u00e7o P\u00fablico (OSP) e modelos de financiamento em estatais. A Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), o Banco Mundial e outros organismos t\u00eam se voltado a sistematizar solu\u00e7\u00f5es, preconizando, por exemplo, que a sustentabilidade financeira pode resultar tanto de fontes internas (receitas comerciais, efici\u00eancia produtiva, precifica\u00e7\u00e3o aderente a risco, gest\u00e3o patrimonial), quanto externas (compensa\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas por OSP, aportes de capital, subven\u00e7\u00f5es ou capta\u00e7\u00e3o no mercado). A forma como esses instrumentos s\u00e3o combinados depende da natureza da miss\u00e3o p\u00fablica, do regime regulat\u00f3rio setorial e do grau de exposi\u00e7\u00e3o da empresa \u00e0 competi\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa arquitetura de financiamento, e n\u00e3o somente o desempenho cont\u00e1bil, que condiciona a capacidade da estatal de equilibrar valor p\u00fablico e disciplina econ\u00f4mico-financeira.<\/p>\n<p>Esse ponto \u00e9 relevante, pois muitas estatais cumprem miss\u00f5es com retornos difusos em que o ordenamento jur\u00eddico pode admitir compensa\u00e7\u00f5es financeiras. Por conta disso, a neutralidade competitiva com seus pares privados n\u00e3o \u00e9 absoluta, podendo se admitir exce\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas por meio de diferen\u00e7as em taxa\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de financiamento e tarifas ou metas de retorno, desde que sejam claramente definidas, transparentes, proporcionais e previamente contratualizadas.<\/p>\n<p>Dito isso, voltemos \u00e0 quest\u00e3o dos Correios. Diante da extens\u00e3o territorial do Brasil e da aus\u00eancia de interesse comercial do setor privado em algumas regi\u00f5es, deve-se priorizar a manuten\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o postal universal como uma pol\u00edtica de Estado?<\/p>\n<p>Se a resposta for sim, vale nos debru\u00e7armos sobre a experi\u00eancia de pa\u00edses que adotaram diferentes arranjos para equilibrar universaliza\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia e sustentabilidade financeira em servi\u00e7os postais. Austr\u00e1lia e Fran\u00e7a, por exemplo, mant\u00eam modelos h\u00edbridos em que operadores postais combinam OSP com atividades comerciais que ajudam a financiar esses servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Mas como calcular o custo-benef\u00edcio de se manter uma estatal de servi\u00e7os postais? H\u00e1 v\u00e1rias metodologias para se calcular OSPs dentro das estruturas de custo das empresas: custos marginais, custos totalmente distribu\u00eddos, custos evit\u00e1veis e custos isolados s\u00e3o algumas delas. Todas com vantagens e limita\u00e7\u00f5es. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, trabalhar com contabilidades distintas para as atividades comerciais e n\u00e3o comerciais. Dessa forma, ao se explicitar os custos e benef\u00edcios da atividade associada aos servi\u00e7os p\u00fablicos prestados, aumenta-se a legitimidade dessa miss\u00e3o perante os diversos atores econ\u00f4micos e sociais.<\/p>\n<p>Para que os Correios voltem a ser uma empresa p\u00fablica eficiente e competitiva, \u00e9 fundamental que se abram di\u00e1logos construtivos com apontamentos de solu\u00e7\u00f5es concretas que beneficiem \u00e0 sociedade. \u00c9 preciso maior transpar\u00eancia, metodologias robustas de c\u00e1lculo de custos, governan\u00e7a s\u00f3lida e pol\u00edticas de inova\u00e7\u00e3o bem estruturadas para a gera\u00e7\u00e3o de valor econ\u00f4mico e social de longo prazo. Por fim, a moderniza\u00e7\u00e3o dos Correios passa pela gest\u00e3o estrat\u00e9gica de ativos tang\u00edveis e intang\u00edveis, pelo fortalecimento de parcerias p\u00fablico-privadas e pela incorpora\u00e7\u00e3o de capacidades de inova\u00e7\u00e3o e novas fontes de financiamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abaixo, mat\u00e9ria de hoje, 28\/01, do Correio Braziliense, sobre os Correios. Texto bem estruturado, que traduz o pano de fundo da quest\u00e3o do arcabou\u00e7o econ\u00f4mico do setor postal. 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