{"id":20530,"date":"2025-10-17T15:26:19","date_gmt":"2025-10-17T15:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/adcap.org.br\/?p=20530"},"modified":"2025-10-17T19:03:08","modified_gmt":"2025-10-17T19:03:08","slug":"editorial-do-jornal-valor-economico-sobre-os-correios-e-resposta-da-adcap","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/editorial-do-jornal-valor-economico-sobre-os-correios-e-resposta-da-adcap\/","title":{"rendered":"Editorial do Jornal Valor Econ\u00f4mico sobre os Correios e resposta da ADCAP"},"content":{"rendered":"<p>O Editorial do Jornal Valor Econ\u00f4mico, de hoje, 17\/10\/2025, publicou uma mat\u00e9ria sobre os Correios, com o seguinte t\u00edtulo:<\/p>\n<p><b>N\u00e3o h\u00e1 caminho de volta para o atraso dos Correios<\/b><\/p>\n<p><em>A empresa perdeu o momento de virada do mercado, quando despontaram grandes empresas com log\u00edsticas de vendas e neg\u00f3cios, como Amazon e Mercado Livre<\/em><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<br \/>\n17\/10\/2025<\/p>\n<p>Os Correios (EBCT) s\u00e3o um saco sem fundos, cada vez com menos cartas. Depois de ser a primeira empresa exclu\u00edda da lista de privatiza\u00e7\u00f5es herdada do governo Jair Bolsonaro pelo presidente Lula, ela acumula preju\u00edzos bilion\u00e1rios e crescentes. Aparelhada por indicados do Planalto, a empresa conseguiu quase triplicar os resultados negativos entre 2024 e 2025 (R$ 4,35 bilh\u00f5es no primeiro semestre deste ano ante R$ 1,35 bilh\u00e3o no mesmo per\u00edodo de 2024) e faz parte agora de uma \u201creestrutura\u00e7\u00e3o\u201d oficial. A ideia \u00e9 que o Tesouro (os contribuintes) seja avalista de empr\u00e9stimo de R$ 20 bilh\u00f5es para tentar reerguer uma companhia que parece condenada, como outras estatais que n\u00e3o acompanharam o ritmo da modernidade e sumiram, n\u00e3o por falta de talentos, mas pelo parasitismo das indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, carentes de talento ou de voca\u00e7\u00e3o para os neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>O que se planeja no Planalto \u00e9 conseguir R$ 20 bilh\u00f5es para sustentar \u201cinvestimentos\u201d da empresa em 2025 e 2026, para que ela volte ao lucro em 2027. Ainda que seja poss\u00edvel, o passado mostra que n\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel. Nos \u00faltimos 12 anos, a EBCT teve preju\u00edzo em sete, incluindo 2025, cujo rombo est\u00e1 dado. O governo Lula culpa o antecessor, Bolsonaro, como em tudo, mas os rombos j\u00e1 aconteciam no governo de Dilma Rousseff, quando, entre 2011 e 2016, acumularam-se preju\u00edzos de R$ 4,7 bilh\u00f5es. No primeiro semestre de 2025, a empresa obteve empr\u00e9stimo de R$ 1,8 bilh\u00e3o de bancos privados (BTG, ABC Brasil e Citi), aos quais dever\u00e1 recorrer de novo para, ao lado da Caixa e do Banco do Brasil, mais que decuplicar a dose.<\/p>\n<p>Vinte bilh\u00f5es de reais \u00e9 muito dinheiro. \u00c9 a quantia, por exemplo, que a Embraer, uma das mais competitivas empresas brasileiras globais, pretende investir at\u00e9 2030 para enfrentar um ambiente cada vez mais adverso. Em setembro, o BNDES anunciou um fundo da mesma ordem para ampliar a infraestrutura de apoio \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade no pa\u00eds. Foi tamb\u00e9m o total do fundo para apoio \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 tecnologia no primeiro ano do governo Lula, ou o destinado a apoiar a concess\u00e3o de rodovias no pa\u00eds, ou o planejado para o Fundo Amaz\u00f4nia. \u00c9 tamb\u00e9m um ter\u00e7o dos recursos do PAC em 2025.<\/p>\n<p>Vale a pena? Tudo indica que n\u00e3o. O programa apresentado pela dire\u00e7\u00e3o da empresa no primeiro semestre, antes da troca do presidente por um quadro t\u00e9cnico egresso do Banco do Brasil, n\u00e3o difere muito do apresentado agora nem do manual de reestrutura\u00e7\u00f5es de empresas \u00e0 beira da fal\u00eancia: enxugar quadros, inclusive diretoria (cargos comissionados), renegociar contratos, reduzir a rede de entrega, vender ativos, cortar benef\u00edcios, reestruturar passivos, mudar o foco etc. No contexto de neg\u00f3cios em que os Correios se movem, apesar de sua tradi\u00e7\u00e3o e sua enorme capilaridade, parece uma batalha perdida.<\/p>\n<p>Imobilizada pelo atraso gerencial de indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas extrativistas, sina do Estado brasileiro, a empresa perdeu o momento de virada do mercado, quando despontaram grandes empresas com log\u00edsticas de vendas e neg\u00f3cios altamente produtivos, como Amazon e Mercado Livre, ou logo depois que gigantes da entrega globais, como DHL, haviam determinado regras de um jogo que seria dominado por agilidade, investimentos e competitividade.<\/p>\n<p>Dirigentes da empresa atribuem ao fim do monop\u00f3lio das remessas internacionais ou ao in\u00edcio da taxa\u00e7\u00e3o das \u201cblusinhas\u201d (cobran\u00e7a de impostos de bens abaixo de US$ 50, antes isentos) o in\u00edcio da derrocada dos resultados da companhia. N\u00e3o \u00e9 verdade, porque preju\u00edzos j\u00e1 vinham de antes. Arrogar um monop\u00f3lio para sustentar neg\u00f3cios deixou de ser adequado ou at\u00e9 mesmo polido hoje em dia, e muito menos a perman\u00eancia de privil\u00e9gios tribut\u00e1rios indefens\u00e1veis. Sindicatos da empresa argumentam, corretamente, que uma gest\u00e3o estritamente profissional \u00e9 capaz de fazer muito mais e melhor, sem privatiza\u00e7\u00f5es. O resultado que se conhece com a gest\u00e3o estatal, por\u00e9m, \u00e9 um s\u00f3, constante, que tende a ser destruidor de compet\u00eancias, motiva\u00e7\u00f5es e patrim\u00f4nios. Gest\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o s\u00f3 foram insens\u00edveis a inova\u00e7\u00f5es como tolheram investimentos ou os destinaram a prioridades erradas, como o incha\u00e7o do quadro de pessoal. A gest\u00e3o estatal (\u00e9 certo que n\u00e3o precisaria ser assim) ajudou a afundar os Correios, auxiliada pela vis\u00e3o primitiva dos neg\u00f3cios com que foi conduzida.<\/p>\n<p>O Planalto quer fazer uma gambiarra para salvar a empresa, quando, se confia nela, poderia injetar dinheiro diretamente, mas h\u00e1 escassez de recursos \u2014 menos para programas eleitorais. H\u00e1 fun\u00e7\u00e3o social ineg\u00e1vel nos Correios, que a empresa j\u00e1 cumpriu com brilhante pioneirismo: nenhum dos rinc\u00f5es do Brasil, quando as regi\u00f5es do pa\u00eds eram ilhas incomunic\u00e1veis pelas dist\u00e2ncias e dificuldades de transportes, deixou de receber correspond\u00eancias quando elas eram o \u00fanico meio de comunica\u00e7\u00e3o entre a imensa maioria dos cidad\u00e3os. Esse tempo passou.<\/p>\n<p>Os Correios podem ser substitu\u00eddos. Quando outros setores relevantes foram privatizados, como o de telecomunica\u00e7\u00f5es e energia, criaram-se taxas para que as empresas privadas, ou outras, fossem remuneradas para suprir o v\u00e1cuo social deixado pelos servi\u00e7os estatais (o Fust \u00e9 um exemplo). Esse deveria ser um caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#x2705;\u00a0<b>A ADCAP, em resposta ao Editorial, enviou a seguinte carta ao Jornal:<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CT\/ADCAP \u2013 087\/2025<br \/>\nBras\u00edlia, 17 de outubro de 2025.<\/p>\n<p>Ao Editor,<\/p>\n<p>Do Caderno Editorial &#8211; A opini\u00e3o do Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Prezado Editor,<\/p>\n<p>Em aten\u00e7\u00e3o a publica\u00e7\u00e3o do Valor Econ\u00f4mico de hoje 17\/10\/25, gostar\u00edamos de contribuir com o debate p\u00fablico oferecendo as seguintes reflex\u00f5es<\/p>\n<p>CORREIOS DO BRASIL &#8211; AS OPORTUNIDADES E VANTAGENS COMPETITIVAS<\/p>\n<p>O editorial: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 caminho de volta para o atraso dos Correios&#8221; aborda com propriedade o atraso no processo de moderniza\u00e7\u00e3o dos Correios do Brasil e acerta quando indica a raiz dos problemas: a falta de gest\u00e3o profissional. Acerta tamb\u00e9m o editorial, quando reconhece o papel estrat\u00e9gico dos Correios, como infraestrutura relevante para o desenvolvimento social e econ\u00f4mico do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>A diverg\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a nosso ponto de vista se d\u00e1 quando se aborda a possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00e3o e futuro dos Correios do Brasil.<\/p>\n<p>Iniciamos pela quest\u00e3o econ\u00f4mico-financeira e inclusive sobre a cifra de alavancagem de R$ 20 bilh\u00f5es. Efetivamente, um volume de recursos relevante. Todavia, diferentemente do que defende o editorial ao mencionar a constitui\u00e7\u00e3o de um &#8220;saco sem fundo&#8221;, entendemos que o patrim\u00f4nio tang\u00edvel e intang\u00edvel dos Correios supera em muito esse montante de recursos. Somente em ativos imobili\u00e1rios detidos pela Empresa, segundo informa\u00e7\u00f5es gerenciais, o valor supera R$ 45 bilh\u00f5es. Assim, consideramos prematura a conclus\u00e3o de que os valores levantados em cons\u00f3rcio privado de bancos voltados a equacionar o fluxo de caixa da empresa se constitui em \u201csaco sem fundo\u201d. \u00c9 prudente que se avalie o conjunto de ativos garantidores que a pr\u00f3pria Empresa tem a oferecer e que alcan\u00e7a tamb\u00e9m, al\u00e9m dos im\u00f3veis, uma grande frota de ve\u00edculos, sistemas e bens. Al\u00e9m disso, h\u00e1 ainda ativos intang\u00edveis, que incluem marcas valiosas, como a da pr\u00f3pria Empresa e SEDEX. Quanto valeriam essas marcas, por tudo que representam na hist\u00f3ria &#8211; desde a certid\u00e3o de batismo do Brasil: a carta de Pero Vaz de caminha &#8211; no imagin\u00e1rio &#8211; confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o e na diversidade de presen\u00e7a no territ\u00f3rio brasileiro? Quanto os citados concorrentes teriam que investir para se aproximar desse posicionamento mercadol\u00f3gico consolidado?<\/p>\n<p>Compreendemos que, diante da magnitude dos recursos ora necess\u00e1rios para equilibrar a Empresa, seja colocada em discuss\u00e3o a viabilidade ou inviabilidade da opera\u00e7\u00e3o anunciada pelo presidente dos Correios. Mas, consideramos que tal discuss\u00e3o deva se dar com mais profundidade, tendo em conta especialmente os ativos detidos pela Empresa e as reais perspectivas de alavancagem de neg\u00f3cios, que uma dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica pode efetivamente implementar, inclusive porque o principal neg\u00f3cio dos Correios na atualidade &#8211; a log\u00edstica do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico &#8211; est\u00e1 em franca expans\u00e3o no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Convergimos no entendimento de que, seja um real ou 20 bilh\u00f5es, no mundo empresarial o dono do recurso, seja o particular ou a sociedade, espera o devido retorno.\u00a0 Essa \u00e9 a responsabilidade do gestor, p\u00fablico ou privado, e deve ser acompanhada e fiscalizada.<\/p>\n<p>Ficamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para contribuir com elementos, que possam auxiliar em reflex\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o dos Correios e suas perspectivas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Atenciosamente,<\/div>\n<div>Roberval Borges Correa<\/div>\n<div>Presidente<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Editorial do Jornal Valor Econ\u00f4mico, de hoje, 17\/10\/2025, publicou uma mat\u00e9ria sobre os Correios, com o seguinte t\u00edtulo: N\u00e3o h\u00e1 caminho de volta para o atraso dos Correios A&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","footnotes":""},"categories":[5,44],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20530"}],"collection":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20530"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20530\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20533,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20530\/revisions\/20533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}