{"id":14544,"date":"2020-08-26T15:43:48","date_gmt":"2020-08-26T15:43:48","guid":{"rendered":"https:\/\/adcap.org.br\/?p=14544"},"modified":"2020-08-26T15:45:54","modified_gmt":"2020-08-26T15:45:54","slug":"adcap-net-26-08-2020-aparelhamento-politico-militar-nos-correios-greve-e-efeitos-da-privatizacao-do-correio-argentino-veja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/adcap-net-26-08-2020-aparelhamento-politico-militar-nos-correios-greve-e-efeitos-da-privatizacao-do-correio-argentino-veja\/","title":{"rendered":"Adcap Net 26\/08\/2020 &#8211; Aparelhamento pol\u00edtico-militar nos Correios, Greve e Efeitos da Privatiza\u00e7\u00e3o do Correio Argentino &#8211; Veja!"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><strong>Muda o governo e n\u00e3o muda a pr\u00e1tica; \u00e0s\u00a0<\/strong><strong>vezes at\u00e9 piora!<\/strong><\/h1>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com a remunera\u00e7\u00e3o dos 16 assessores especiais desnecess\u00e1rios, se poderia contratar 200 carteiros e atender 800.000 brasileiros.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/PHOTO-2020-08-26-08-24-45.jpg\" data-rel=\"penci-gallery-image-content\" ><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-14543 size-full\" src=\"https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/PHOTO-2020-08-26-08-24-45.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"515\" srcset=\"https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/PHOTO-2020-08-26-08-24-45.jpg 900w, https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/PHOTO-2020-08-26-08-24-45-300x172.jpg 300w, https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/PHOTO-2020-08-26-08-24-45-768x439.jpg 768w, https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/PHOTO-2020-08-26-08-24-45-585x335.jpg 585w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h1><strong>Militares dominam c\u00fapula dos Correios<\/strong><\/h1>\n<p>Pelo menos 14 oficiais da reserva ocupam cargos de alto escal\u00e3o na ECT, no Postalis e na Postal Sa\u00fade<\/p>\n<p>Valor<br \/>\n26\/08\/2020<\/p>\n<p>O governo Jair Bolsonaro nomeou pelo menos 14 militares para cargos de alto escal\u00e3o na Empresa Brasileira de\u00a0<strong>Correios<\/strong>\u00a0e Tel\u00e9grafos (ECT), no Postalis (fundo de pens\u00e3o dos empregados) e na Postal Sa\u00fade (operadora pr\u00f3pria dos planos m\u00e9dicos).<\/p>\n<p>A lista de ex-fardados \u00e9 composta por nove oficiais do Ex\u00e9rcito, tr\u00eas da Marinha e dois da Aeron\u00e1utica. Todos j\u00e1 foram para a reserva. Sindicatos e associa\u00e7\u00f5es de trabalhadores afirmam que a militariza\u00e7\u00e3o dos Correios diminuiu o espa\u00e7o para di\u00e1logo. Reclamam ainda que, pouco antes da guerra iniciada para retirar benef\u00edcios \u201cextra-CLT\u201d dos empregados, a estatal e suas coligadas deram sinal verde \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de assessorias especiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/net-2608.jpg\" data-rel=\"penci-gallery-image-content\" ><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-14542 size-full\" src=\"https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/net-2608.jpg\" alt=\"\" width=\"984\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/net-2608.jpg 984w, https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/net-2608-300x159.jpg 300w, https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/net-2608-768x408.jpg 768w, https:\/\/adcap.org.br\/wp-content\/uploads\/net-2608-585x311.jpg 585w\" sizes=\"(max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do general Floriano Peixoto, ex-ministro da Secretaria-Geral e hoje \u201c01\u201d dos Correios, tamb\u00e9m v\u00eam das For\u00e7as Armadas os presidentes do Postalis e da Postal Sa\u00fade. No fundo, que ficou dois anos e meio sob interven\u00e7\u00e3o por causa dos seguidos d\u00e9ficits atuariais, est\u00e1 o general quatro estrelas Paulo Humberto de Oliveira. Ele j\u00e1 foi chefe do Estado-Maior do Ex\u00e9rcito. Outro general, Jos\u00e9 Orlando Cardoso, comanda a caixa de assist\u00eancia m\u00e9dica. Os conselhos da ECT, do Postalis e da Postal Sa\u00fade t\u00eam coron\u00e9is, brigadeiros e capit\u00e3es de mar e guerra entre seus titulares.<\/p>\n<p>\u201c<em>Com esse novo perfil de gest\u00e3o, chegou a pr\u00e1tica militar de n\u00e3o falar com subalternos\u201d<\/em>, diz a presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Profissionais dos Correios (<strong>ADCAP<\/strong>),\u00a0<strong>Maria In\u00eas Capelli.<\/strong>\u00a0Segundo ela, todos os pedidos de audi\u00eancia com o general Floriano at\u00e9 hoje foram negados.\u00a0<em>\u201cNossa batalha era para acabar com o aparelhamento e reerguer a empresa, mas ficamos frustrados e o clima \u00e9 de insatisfa\u00e7\u00e3o. Falta interlocu\u00e7\u00e3o. Ele tem se negado a falar com qualquer entidade representativa\u201d,<\/em>\u00a0afirma Maria In\u00eas.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Comunica\u00e7\u00e3o da Fentect (federa\u00e7\u00e3o que re\u00fane 31 sindicatos regionais), Emerson Marinho, queixa-se do \u201cautoritarismo\u201dno relacionamento entre a atual diretoria e os empregados. O ponto que ele mais critica, no entanto, \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o das assessorias especiais enquanto se anuncia o objetivo de economizar R$ 600 milh\u00f5es por ano com corte de benef\u00edcios. \u201cO discurso vai em uma dire\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica vai em outra\u201d, avalia.<\/p>\n<p>No dia 13 de mar\u00e7o deste ano, o conselho deliberativo da Postal Sa\u00fade aprovou \u201cproposta de amplia\u00e7\u00e3o do quantitativo de fun\u00e7\u00f5es de Assessores da Diretoria Executiva para no m\u00e1ximo sete\u201d, com validade at\u00e9 outubro de 2023. A medida teve aval de dois (ambos militares) dos tr\u00eas conselheiros. Outro conselheiro, o funcion\u00e1rio de carreira aposentado Jorge Luiz Gonzaga Ribeiro, deu voto contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>De acordo com Ribeiro, documentos apresentados ao colegiado demonstravam que cada assessor &#8211; hoje s\u00e3o tr\u00eas &#8211; teria \u201ccusto mensal\u201d de R$ 26,4 mil. A assessoria dos Correios desmente a informa\u00e7\u00e3o e sustenta que o sal\u00e1rio bruto \u00e9 de R$ 15.975. \u201cA remunera\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, compat\u00edvel com as responsabilidades do cargo e com valores praticados no mercado.\u201d<\/p>\n<p>Em acordo judicial homologado em julho, com aval do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, a ECT encerrou uma disputa de anos e pacificou a exist\u00eancia de 16 cargos de assessores especiais &#8211; oito devem ser empregados da pr\u00f3pria casa. Os sal\u00e1rios s\u00e3o de R$ 19.454.<\/p>\n<p>A assessoria dos Correios diz que os cargos j\u00e1 constavam do estatuto social e foram aprovados pelo Minist\u00e9rio da Economia e pelo conselho de administra\u00e7\u00e3o da estatal. \u201cOs assessores, que representam 0,016% dos universo dos empregados da empresa, possuem atribui\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e compet\u00eancias agregadoras e especializadas\u201d, afirma. Para os representantes dos trabalhadores, trata-se de uma despesa que contradiz o discurso oficial de enxugamento. Por Daniel Rittner, Valor.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h1><strong>Venda dos Correios: uma outra vis\u00e3o<\/strong><\/h1>\n<p>Di\u00e1rio do Poder<br \/>\n23\/08\/2020<\/p>\n<p>Est\u00e3o enganando o presidente Bolsonaro aqueles pol\u00edticos que prop\u00f5em a venda da empresa\u00a0<strong>Correios\u00a0<\/strong>do Brasil \u00e0 iniciativa privada. Se fosse um neg\u00f3cio bom para o povo, os Estados Unidos, o altar-mor do capitalismo, j\u00e1 o teriam feito. O que se deve fazer, e logo, como fizeram os EUA, \u00e9 simplesmente aperfei\u00e7oar a quebra do monop\u00f3lio estatal neste vital setor da comunica\u00e7\u00e3o. Mas, at\u00e9 por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional, a empresa Correios do Brasil deve continuar sua exist\u00eancia j\u00e1 t\u00e3o velha quanto a do nosso pr\u00f3prio pa\u00eds, 1808. Seguran\u00e7a nacional? Isso mesmo. Por que o leitor acha que o Trump quer impedir o eleitorado americano de votar pelo correio? Ora, porque o Post \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o s\u00e9ria demais para praticar maracutaia de qualquer esp\u00e9cie. J\u00e1 pensou se o correio americano estivesse em m\u00e3os particulares? E se esses particulares tivessem o mesmo car\u00e1ter de Trump?<\/p>\n<p>O Post existe desde 1775, portanto \u00e9 uma das mais antigas institui\u00e7\u00f5es daquele pa\u00eds. E notem como \u00e9 importante demais: \u00a0seus dez diretores s\u00e3o designados pelo presidente da Rep\u00fablica e os nomes t\u00eam de ser aprovados pelo Senado. O presidente do Post est\u00e1 na linha de sucess\u00e3o da Casa Branca depois do vice, do presidente da C\u00e2mara, do presidente da Suprema Corte e de n\u00e3o sei mais quem. Veja l\u00e1, hein? Tem hoje mais de 785 mil trabalhadores, respeitados pela popula\u00e7\u00e3o pela sua honestidade comprovada. Que vem desde o tempo do faroeste: nunca um carteiro americano fez alian\u00e7a com assaltante de dilig\u00eancia.<\/p>\n<p>Menos de cem anos ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o do Post, o governo dos Estados Unidos decidiu quebrar parte do monop\u00f3lio e em 1851 autorizou o funcionamento de empresas privadas no setor. A emiss\u00e3o de selos postais, que do ponto de vista monet\u00e1rio \u00e9 moeda corrente, permaneceu em suas m\u00e3os seguras. Foi ent\u00e3o que nasceu a Western Union, que passava telegramas e era agente banc\u00e1rio tamb\u00e9m. No s\u00e9culo passado, nova reforma autorizou o funcionamento de correios particulares. Nasceram o Federal Express e a UPS, hoje duas gigantes da comunica\u00e7\u00e3o internacional, sendo o Fedex a propriet\u00e1ria da maior frota de avi\u00f5es do mundo. Voa por dia mais quilometragem do que as dez maiores companhias a\u00e9reas de passageiros.<\/p>\n<p>Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Alemanha seguiram o exemplo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Por que o Brasil n\u00e3o pode?<\/p>\n<p>As greves sucessivas na ECT assustam? Ora, que se fa\u00e7a um novo contrato social em que aumento de sal\u00e1rio s\u00f3 \u00e9 concedido se houver lucro.<\/p>\n<p>Incha\u00e7o de pessoal? Ora, demita-se aquele que for dispens\u00e1vel. Enxugue a m\u00e1quina.<\/p>\n<p>Estimule a forma\u00e7\u00e3o de empresas como o Fedex. E deixem as internacionais operarem aqui dentro.<\/p>\n<p>Gest\u00f5es seguidas de preju\u00edzos? Os diretores respondem pelo seu CPF, ali\u00e1s, como est\u00e1 na lei de responsabilidade fiscal.<\/p>\n<p>L\u00e1 em cima citei a malandragem do Trump que colocou o Post em evid\u00eancia esta semana. O exemplo n\u00e3o nos serve, dir\u00e1 o leitor, j\u00e1 que a lei eleitoral brasileira n\u00e3o permite o voto pelo correio.<\/p>\n<p>O trem de ferro, no s\u00e9culo XIX, produziu em todo o mundo uma dram\u00e1tica revolu\u00e7\u00e3o nas comunica\u00e7\u00f5es. Sepultou velharias e introduziu inova\u00e7\u00f5es com sua rapidez sobre trilhos. Foi por causa dessa inven\u00e7\u00e3o que o Post come\u00e7ou a quebrar o monop\u00f3lio da comunica\u00e7\u00e3o interpessoal e autorizou empresas privadas a passar telegrama. A telefonia celular est\u00e1 fazendo em nosso s\u00e9culo, com muito mais exorbit\u00e2ncia, uma revolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria a que nenhum de n\u00f3s imagina onde vai parar. Quem sabe nossos netos v\u00e3o votar pelo smartphone? Desde que, quem recolha o voto digital, seja uma empresa t\u00e3o honesta como o Post. Ou como o Correio do Brasil.<\/p>\n<h1><strong>Privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios: Exemplo argentino\u00a0<\/strong><strong>terminou em esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><strong>envolvendo a fam\u00edlia Macri<\/strong><\/h1>\n<p>Empresa foi vendida nos Anos 90 por Carlos Menem, e o comprador foi Franco Macri, cuja administra\u00e7\u00e3o desastrosa produziu d\u00edvida de quase 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares com o Estado, que seu filho Mauricio tentou \u201capagar\u201d quando foi presidente<\/p>\n<p>Revista Forum<br \/>\n25\/08\/2020<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>Correios\u00a0<\/strong>\u00e9 um dos debates do momento no Brasil, por se tratar de um dos projetos priorit\u00e1rios da Secretaria de Desestatiza\u00e7\u00e3o do governo de Jair Bolsonaro e por ser o estopim da greve iniciada na semana passada.<\/p>\n<p>Aqueles que defendem a privatiza\u00e7\u00e3o utilizam o seu argumento de sempre, de que \u201cisso traria mais qualidade ao servi\u00e7o, e acabaria com a corrup\u00e7\u00e3o envolvendo a empresa\u201d. Por\u00e9m, um exemplo que est\u00e1 bem do lado do Brasil mostra claramente que a chegada do setor privado n\u00e3o garante nem essa suposta efici\u00eancia, nem a transpar\u00eancia. E, o mais curioso, envolve o sobrenome Macri, que j\u00e1 foi idolatrado pelos liberais brasileiros \u2013 embora hoje eles prefiram esquec\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou em mar\u00e7o de 1997, que se concluiu o processo de privatiza\u00e7\u00e3o da empresa Correo Argentino, durante o governo de Carlos Menem, o grande privatizador do pa\u00eds. Segundo informe da T\u00e9lam (ag\u00eancia p\u00fablica de not\u00edcias da Argentina), a concess\u00e3o foi entregue \u00e0 empresa SOCMA (abrevia\u00e7\u00e3o de \u201cSociedad Macri\u201d), cujo dono era Franco Macri, pai de Mauricio Macri, que naquele ent\u00e3o usava bigode e era presidente do clube Boca Juniors. O contrato tornou a Argentina um dos primeiros pa\u00edses do mundo a entregar o servi\u00e7o postal inteiramente \u00e0 iniciativa privada.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, em meados de 2001, uma investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica indicou que a SOCMA havia pagado ao Estado apenas o que estava previsto no primeiro ano da concess\u00e3o. Eram tempos de crise econ\u00f4mica na Argentina, o Estado estava quase falido e a popula\u00e7\u00e3o vivia sob a regra do chamado \u201ccorralito\u201d, o limite para transa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias necess\u00e1rio para evitar que o sistema financeiro quebrasse de vez.<\/p>\n<p>Longe de ser v\u00edtima dessa situa\u00e7\u00e3o, o caso SOCMA-Correo era um dos respons\u00e1veis: entre 1998 e 2001, Franco Macri acumulou uma d\u00edvida de 296 milh\u00f5es de pesos com o Estado argentino, aprofundando a crise que levaria o ent\u00e3o presidente Fernando de la R\u00faa, sucessor de Menem, a renunciar \u00e0 presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Dois anos depois, em novembro de 2003, o novo presidente eleito do pa\u00eds inaugurava uma guerra entre fam\u00edlias que persiste at\u00e9 hoje. O presidente era N\u00e9stor Kirchner, que decidiu rescindir a concess\u00e3o \u00e0 SOCMA, reestatizar o servi\u00e7o e iniciar um processo judicial para que a fam\u00edlia Macri pagasse os milh\u00f5es que devia ao Estado.<\/p>\n<p>O talento dos advogados da SOCMA manteve o processo avan\u00e7ando lentamente na Justi\u00e7a, e 13 anos depois, em junho de 2016, o cen\u00e1rio pol\u00edtico era bem diferente: N\u00e9stor Kirchner estava morto e sua esposa, Cristina Kirchner, teve dois mandatos presidenciais, mas tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o estava na Casa Rosada. Por sua parte, Franco Macri vivia seus \u00faltimos meses de vida, e j\u00e1 havia se afastado do comando da SOCMA, que estava nas m\u00e3os de seus filhos \u2013 ou, mais precisamente de Gianfranco Macri, j\u00e1 que o mais velho, Mauricio Macri, era o presidente da Argentina.<\/p>\n<p>Em meio a esse contexto, a C\u00e2mara Nacional de Recursos Comerciais da Argentina (ligada ao governo, e, portanto, administrada por pessoas nomeadas por Mauricio Macri) convocou uma audi\u00eancia entre os representantes da empresa Correo Argentino e da SOCMA, para chegar a um acordo e saldar a d\u00edvida. Curiosamente, os representantes do Estado acataram a proposta da empresa, que oferecia o pagamento de 100% do capital verificado (296 milh\u00f5es de pesos) em 15 parcelas anuais e consecutivas, que seriam pagas a partir de 2017.<\/p>\n<p>O acordo foi aprovado pela Justi\u00e7a Comercial, mas rejeitado pela Procuradoria Geral da C\u00e2mara de Recursos Comerciais. Segundo a promotora Gabriela Boqu\u00edn, a oferta da empresa era \u201cabusiva\u201d e sua aceita\u00e7\u00e3o significaria \u201cdanificar gravemente o patrim\u00f4nio do Estado\u201d, j\u00e1 que n\u00e3o considerava a corre\u00e7\u00e3o dos valores da \u00e9poca, o que levaria o Estado argentino a uma perda de cerca de 70 bilh\u00f5es de pesos (cerca de 970 milh\u00f5es de d\u00f3lares).<\/p>\n<p>\u201cA empresa da fam\u00edlia Macri gozou de um estado de fal\u00eancia eterna e conseguiu suspender o pagamento aos seus credores por mais de 15 anos, e esse \u00e9 um dos elementos que a proposta atual simplesmente omite\u201d, foi um dos argumentos da promotora para considerar a oferta da SOCMA desvantajosa para o Estado.<\/p>\n<p>Em fevereiro do ano seguinte, o deputado kirschnetista Mart\u00edn Sabbatella e o advogado Daniel Igolnikov denunciaram criminalmente o governo Macri pelo acordo. O caso caiu nas m\u00e3os do juiz Ariel Lijo e a investiga\u00e7\u00e3o encontrou pistas de que o ent\u00e3o ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, Oscar Aguad, teria preparado uma proposta feita sob medida para satisfazer os interesses da fam\u00edlia Macri, e assim surgiu a suspeita de que o presidente estaria usando o cargo para ajudar a empresa da fam\u00edlia a se livrar de sua d\u00edvida mais importante.<\/p>\n<p>Este novo processo judicial avan\u00e7ou de forma menos lenta que aquele no qual Kirchner tentava cobrar a d\u00edvida dos Macri com o Estado, ainda assim, com as press\u00f5es do governo sobre a Justi\u00e7a, o ministro Aguad terminou dando seu testemunho somente em mar\u00e7o de 2019, quando j\u00e1 n\u00e3o era mais encarregado da pasta de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 havia sido remanejado ao Minist\u00e9rio da Defesa, meses antes.<\/p>\n<p>J\u00e1 era ano eleitoral, e Macri lutava por sua reelei\u00e7\u00e3o, e por isso era preciso tirar aquela pedra do sapato. Al\u00e9m disso, Franco Macri havia falecido, tornando os filhos Mauricio e Gianfranco herdeiros da d\u00edvida da SOCMA.<\/p>\n<p>Em abril de 2019, os advogados da fam\u00edlia Macri exigiram o encerramento do processo por \u201cfalta de provas\u201d. No entanto, o pedido foi rejeitado em agosto do mesmo ano. Finalmente, em mar\u00e7o deste ano, com Alberto Fern\u00e1ndez na Casa Rosada e Mauricio j\u00e1 como ex-presidente, a ju\u00edza Marta Cirulli, que substituiu Ariel Lijo, ordenou a \u201cinterven\u00e7\u00e3o total da empresa Correo Argentino e o deslocamento de seus dirigentes, em cumprimento com as medidas recomendadas em 2016 pela promotora Gabriela Boqu\u00edn\u201d.<\/p>\n<p>Depois de tudo, a privatiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de correios da Argentina n\u00e3o trouxe nenhuma efici\u00eancia no servi\u00e7o, que nunca havia sido questionado em sua qualidade \u2013 situa\u00e7\u00e3o que se manteve depois que voltou \u00e0s m\u00e3os do Estado, em 2003 \u2013, e no que diz respeito \u00e0 transpar\u00eancia, foi um desastre total, j\u00e1 que o servi\u00e7o foi o estopim de um dos maiores casos de corrup\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pa\u00eds justamente pela administra\u00e7\u00e3o err\u00e1tica de uma empresa privada, em um esc\u00e2ndalo que s\u00f3 envolveu a pol\u00edtica quando os privados que haviam recebido a concess\u00e3o tomaram conta do setor p\u00fablico para atuar em causa pr\u00f3pria e resolver suas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Diante de tudo isso, algu\u00e9m duvida de que o exemplo argentino deveria ser parte fundamental da discuss\u00e3o da privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios no Brasil?<\/p>\n<p><big>\u00a0<\/big><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><big><strong>Dire\u00e7\u00e3o Nacional da ADCAP.<\/strong><\/big><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muda o governo e n\u00e3o muda a pr\u00e1tica; \u00e0s\u00a0vezes at\u00e9 piora! Com a remunera\u00e7\u00e3o dos 16 assessores especiais desnecess\u00e1rios, se poderia contratar 200 carteiros e atender 800.000 brasileiros. Militares dominam&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","footnotes":""},"categories":[3,43],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14544"}],"collection":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14544"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14544\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adcap.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}